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Mariluz

Mulher volta para casa e nega cativeiro

Edson Almeida vai responder em liberdade por cárcere privado e porte ilegal de armas. Clarice Oliveira vai passar por exames de saúde mental

Edson de Almeida, ao lado da amante Clarice Oliveira: crítica à intromissão na vida privada | Dirceu Portugal/Gazeta do Povo
Edson de Almeida, ao lado da amante Clarice Oliveira: crítica à intromissão na vida privada (Foto: Dirceu Portugal/Gazeta do Povo)

Depois de pagar uma fiança de R$ 1.237,68 e ser liberado da delegacia de Mariluz, no Noroeste do estado, na manhã do último sábado, o tapeceiro Francisco Ribeiro, de 60 anos, voltou para casa, acompanhado da amante. Ele acusou a polícia militar de truculência no dia da sua prisão em flagrante, na última quinta-feira. Ribeiro é suspeito de manter em cárcere privado por cerca de 10 anos a amante, Clarice Laura de Oliveira, de 45 anos. Ela nega que tenha sido prisioneira de Ribeiro, que é casado com outra mulher.

A ação policial ocorreu após uma denúncia anônima feita ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), de que uma mulher estaria presa há pelo menos 20 anos. Conforme a polícia, Clarice foi encontrada debilitada, sem indícios de agressões físicas, em uma residência com portas e janelas trancadas, muros altos e cães de grande porte soltos pelo quintal. Durante a busca na casa, os policiais localizaram duas armas de fogo embaixo do guarda-roupa, sendo um revólver calibre 38 (com seis cartuchos) e uma espingarda calibre 36.

"A ação da PM foi precipitada e extremamente exagerada. Ninguém chamou o casal na delegacia para perguntar o que de fato estava acontecendo. Chegaram atirando contra os cães, contra a casa e arrebentando a porta com os pés, como se aqui morasse bandidos de alta periculosidade", criticou Ribeiro. Segundo ele, a ação violenta da PM causou pânico em Clarice. "A mulher quase morreu do coração, pensou que eram bandidos tentando arrombar a casa. Nunca tivemos nenhum problema com a polícia para sermos tratados como bandidos." O tapeceiro contou que há oito anos alugou a casa, onde vivia com Clarice, e por medo, rodeou o terreno com as chapas de aço, com cerca de dois metros de altura cada uma. "Quem luta para ter um simples talher, protege da forma como o bolso pode. Ela não saía de casa porque não suporto mulheres que vivem ‘medindo rua’ e falando mal da vida alheia com as vizinhas. Se cada um cuidasse da própria vida, o mundo poderia estar bem melhor", diz.

Ribeiro acredita que a denúncia partiu de vizinhos e parentes que não aceitam o seu relacionamento com duas mulheres. "Se posso sustentar as duas sem depender de ninguém, vizinhos e parentes tem de cuidar da própria vida", critica.

Cinco horas depois de deixar a prisão, Ribeiro passou na casa da cunhada e, acompanhado de Clarice, voltaram ao que a polícia chamou de "cativeiro". "Queremos ser felizes neste humilde ‘cativeiro", ironizou o tapeceiro.

Localizada em uma das ruas mais afastadas de Mariluz, a casa de seis cômodos de madeira tem apenas um cadeado em uma das janelas de um dos três quartos. "Todos os cômodos têm janelas e ela tinha a chave de todas as portas. Poderia sair à hora que bem entendesse. Como alguém pode passar dez anos em um ‘cativeiro’ assim? Aqui nunca foi e nunca será a ‘Casa dos Horrores’", disse Ribeiro.

Ele contou que três vezes por dia fazia visita à amante, mas que não dormia na casa. "Ela tinha um celular para emergência. Durante a noite cuido da esposa que tem a saúde debilitada", afirmou.

Antes de retornar para casa, ainda na casa da irmã, Clarice, chorando muito, lamentou a prisão de Ribeiro e disse que ficava trancada em casa porque gostava. "Ele nunca obrigou a nada, sempre me tratou bem e nunca deixou faltar comida. Vivia feliz com ele. Nunca me senti aprisionada e não estava lá obrigada. O único defeito dele era ser ciumento, mas gosto muito dele. Nada vai impedir de voltar a morar na mesma casa. Os cães e as armas eram para me proteger", disse.

De acordo com o escrivão da delegacia de Mariluz, Edson Lima de Almeida, o tapeceiro vai responder em liberdade pelos crimes de cárcere privado e porte ilegal de armas. Clarice vai passar por exames para atestar sua saúde mental.

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