Salvador Horas antes da chegada do corpo do senador Antônio Carlos Magalhães (DEM) a Salvador (BA), cerca de 500 pessoas já faziam fila nas imediações do Palácio da Aclimação (centro), ontem à tarde, para prestar condolências aos familiares dele.
Pelo menos 300 policiais militares foram mobilizados para disciplinar as filas e controlar o acesso do público ao palácio. Motoristas de táxi categoria que tradicionalmente apoiou o grupo político comandado por ACM de quase todas as empresas que rodam em Salvador amarraram fitas pretas às antenas de seus veículos para simbolizar o luto. "Nunca vi uma pessoa tão identificada com as raízes de sua terra como o senador Antônio Carlos Magalhães", disse Vítor Santana, motorista de táxi há 23 anos.
No Mercado Modelo, uma das principais atrações turísticas de Salvador, os barraqueiros interromperam o atendimento aos clientes e fizeram um minuto de silêncio. Nos bares e restaurantes do Pelourinho, proprietários creditaram a ACM a recuperação do centro histórico de Salvador.
Muitos moradores e comerciantes do centro histórico também colocaram bandeiras pretas e cartazes nas sacadas e varandas em homenagem ao senador. Na mais famosa igreja da Bahia, a do Senhor do Bonfim, havia ontem fiéis com camisas estampadas com a foto de Antônio Carlos Magalhães.
Em algumas bancas de jornais, os proprietários colocaram fotos do senador.
As baianas vendedoras de acarajé também prestaram homenagens ao ex-presidente do Congresso. Em alguns tabuleiros, faixas e cartazes faziam referências a ACM.
Orgulho
O pedreiro Antônio Carlos Santos da Paixão, de 63 anos, orgulha-se de morar na Rua Antonio Carlos Magalhães, em Salvador, ainda que ela esteja localizada no bairro periférico de Suçuarana. "Foi a gente mesmo que escolheu o nome da rua, lá quando ela foi feita, uns 30 anos atrás", afirma, orgulhoso.
Fato é que poucos sinais são tão claros sobre a popularidade e o poder que ACM tinha na Bahia do que a quantidade de homenagens prestadas a ele, ainda em vida, em avenidas, ruas e praças por todo o estado. Todas as principais cidades baianas têm pelo menos uma via ou um espaço público urbano com o nome do senador, desde a década de 70.



