
Sujeira, cheiro ruim, falta de papel higiênico e sabonete. Esses são alguns dos problemas enfrentados pelos usuários de banheiros públicos em Curitiba. Mas os problemas não param por aí. Encontrar um sanitário no centro da capital não é fácil. Na Rua XV e na Avenida Marechal Deodoro não há banheiro público. Hoje, há 13.328 mil habitantes para cada um dos 131 sanitários públicos de Curitiba.
Nesta semana, a Câmara de Vereadores abriu uma discussão na Comissão de Urbanismo para encontrar soluções e tentar aumentar o número de banheiros na cidade, sobretudo na região central. Nos dois endereços citados, de acordo com a comissão, passam 140 mil pessoas todos os dias.
A Associação Comercial do Paraná (ACP), que tem participado do debate, propõe uma alternativa. Segundo o vice-presidente da associação, Antonio Miguel Spolador, a saída pode ser uma parceria público-privada (PPP). "Queremos uma solução. Temos que aproveitar os cafés, pontos de ônibus e bancas de revistas", afirma.
Para Spolador, o debate não pode ficar atrelado à Copa do Mundo de 2014. Ele avalia que a necessidade de mais sanitários no Centro é um problema que atrapalha os lojistas. "As pessoas pedem nas lojas, e os comerciantes não têm estrutura para isso".
O vereador Jonny Stica (PT), presidente da Comissão, tem apoiado a ideia. "A prefeitura deveria mapear as áreas de maior necessidade para poder explorar a parceria público-privada".
Condições
A reportagem da Gazeta do Povo foi a três banheiros públicos de Curitiba. O primeiro deles, no Terminal Guadalupe, no Centro da cidade, apresentou as piores condições, mesmo sendo cobrada uma taxa de R$ 0,50. O chão estava sujo e não havia sabonete. Na hora do aperto, o bancário Hamilton Kendzies, 45 anos, deu uma parada no sanitário do terminal. "O banheiro tem que ser como em casa. Tem que ter higiene", diz.
Na Praça 29 de Março, no bairro Mercês, os dois banheiros estavam fechados. Segundo o administrador Carlos Almeida, 53 anos, que mora na região, a praça só conta com banheiros químicos, nos fins de semana, quando há feiras montadas no local. "Deveria ter em todo lugar. Eu já venho prevenido de casa", conta. De acordo com ele, os banheiros da praça estão fechados há cerca de três anos.
A prefeitura informou que está debatendo o assunto com a ACP e que haverá uma reunião no Instituto de Pesquisas Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) para definir possíveis ações para aumentar o número de banheiros no Centro da cidade. A prefeitura avalia que as PPPs podem ser uma boa alternativa para o problema.
Alta rotatividade
Na Praça Osório, uma das principais da região central de Curitiba, o problema não são as condições. O sanitário é limpo de hora em hora. Um funcionário, que preferiu não se identificar, contou que, durante todo o dia, muitos michês usam para fazer programa. "Falta segurança, fiscalização", relata o funcionário. Segundo ele, mesmo com a presença da Polícia Militar e da Guarda Municipal não há como evitar que o local seja utilizado para esse fim.
Ao contrário do que muitos imaginam, o máximo que se pode pegar em um banheiro público são micoses. É o que diz o infectologista Horácio de Souza. O médico explica que é preciso cuidar com a higiene das mãos e forrar o assento para evitar qualquer transmissão. No entanto, segundo ele, apenas usando o banheiro público não há como outras doenças serem transmitidas. "A chance de infecção genital é muito rara. A transmissibilidade de doença é mais comum pelas mãos".



