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Entrevista

“Não sou artista. Quero ser visto só como padre”

Cantor, ator, coreógrafo, apresentador, escritor, radialista, superstar... diversos apostos ligados ao universo artístico e da comunicação costumam acompanhar o nome Marcelo Rossi. Mas o único que ele leva em consideração de fato é simplesmente padre, função que o religioso paulistano de 39 anos exerce regularmente no Santuário do Terço Bizantino, em São Paulo, desde 1998.

Em uma passagem relâmpago por Curitiba na última sexta-feira, a caminho da missa que concelebrou à noite em Paranaguá, por ocasião da Semana da Padroeira do Paraná, ele falou com exclusividade sobre esse e outros assuntos à reportagem da Gazeta do Povo.

As suas missas alegres e coreografadas, e a sua presença constante na mídia terminaram por alçá-lo ao estrelato, com direito a assédio permanente dos fãs. Isso o incomoda?No começo incomodava, quando as pessoas só queriam tirar fotos ou pedir autógrafos. Não sou artista, sou um padre, e quero ser reconhecido apenas como padre. Não gosto de ser visto como popstar. Mas agora tudo isso já está superado. Você viu como foi aqui no aeroporto? As pessoas me procuraram para pedir a bênção, e isso eu tenho a maior alegria em distribuir.

Embora recuse o rótulo de "artista", o senhor mantém uma produção cultural importante, elaborando com freqüência discos, livros e até um longa-metragem (Maria, Mãe do Filho de Deus, de Moacyr Góes). Algum novo projeto em mente?Estamos com um projeto sobre o Livro dos Salmos com música, em parceria com a Som Livre/Sony, a minha gravadora. E no dia 21 de abril, no estádio do Morumbi, vamos promover uma partida de futebol com a participação de craques como Raí, Sócrates, Gérson, Rivelino e jogadores da atualidade, como o Lugano. Os ingressos serão revertidos a entidades que combatem a violência. E as pessoas ainda vão poder me ver pagar o mico de jogar como goleiro. Mas eu sou tão ruim que acho que vou jogar um tempo em cada time, para equilibrar as coisas.

E a sua opinião sobre a Campanha da Fraternidade da CNBB deste ano, cujo mote "Levanta-te, vem para o meio!", diz respeito às pessoas com deficiência?Sempre me lembro de uma ocasião em que eu fui fazer minhas orações numa capela: quando fui acender as velas, notei que uma delas estava quebrada, enquanto a outra permanecia intacta. Como estava sozinho, resolvi não trocar a que estava quebrada, e acendi as duas velas do mesmo jeito. Pois não é que a chama da vela quebrada era muito maior e mais brilhante do que a da vela inteira? Sempre conto essa história aos deficientes que me procuram, e os lembro que, da mesma forma que é o pavio que alimenta a chama da vela, é a essência, o que está por dentro que importa nas pessoas. Ou seja, aquele que tem a integridade física comprometida às vezes tem uma chama muito mais brilhante do que uma pessoa dita normal.

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