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Final feliz

Nariman sai do Líbano em fuga espetacular

Paranaense vítima de maus-tratos contrata ajudantes, percorre 600 km para sair do país e se refugia em embaixada na Síria

Os pais de Nariman, em Matinhos: a mãe, Mahassen, enviou R$ 2,7 mil para grupo de homens ajudarem em plano de fuga | Antonio Costa/Gazeta do Povo
Os pais de Nariman, em Matinhos: a mãe, Mahassen, enviou R$ 2,7 mil para grupo de homens ajudarem em plano de fuga (Foto: Antonio Costa/Gazeta do Povo)
Nariman, com o filho de seis anos, no Líbano: medo e decisão de fugir do país |

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Nariman, com o filho de seis anos, no Líbano: medo e decisão de fugir do país

Veja como foi a fuga de Narimam para sair do Líbano |

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Veja como foi a fuga de Narimam para sair do Líbano

Amor ao filho e medo do marido foram os sentimentos que motivaram a paranaense Nariman Osman Chiah, 21 anos, a colocar em prática um arriscado plano de fuga do Líbano na última sexta-feira, a fim de atravessar ilegalmente a fronteira da Síria. A fuga foi cheia de obstáculos e exigiu mais de 48 horas em movimento para superar um trecho de mais de 600 quilômetros, junto com um grupo contratado para ajudar a brasileira. Mas garantiu que Nariman saísse do Líbano, onde vivia acuada pela violência do marido.

Nariman agora está a salvo na Embaixada do Brasil, em Damasco, na Síria. Grávida de cinco meses, ela espera, com o filho de seis anos, a negociação com o governo brasileiro para voltar ao país. Desde julho, Nariman tinha abandonado o marido, o libanês Ahmed Huliel, 29 anos, acusando-o de maus-tratos.

Nariman nasceu em Matinhos, no litoral do Paraná. Descendente de libaneses, casou-se aos 14 anos no Líbano. Voltou em seguida ao Brasil, onde teve seu filho. Oito meses atrás, foi novamente para o Líbano com o marido. Lá, ele teria se tornado ainda mais agressivo do que já era no Brasil. Foi então que Nariman decidiu fugir. No entanto, pelas leis do Líbano ela não era livre para deixar o país.

Foragida

A mãe de Nariman, Mahassen Chiah, conta que no período em que esteve foragida da casa onde morava com Ahmed em Baalbek, no leste do Líbano, ela foi ajudada por amigos. Em contato por telefone com a filha todos os dias, Mahassen revela que o plano de fuga foi traçado há duas semanas, quando ela enviou US$ 1,7 mil, o equivalente a R$ 2,7 mil, aos homens contratados para ajudar a filha.

O plano inicialmente previa ir à Turquia e, de lá, para o Brasil. Porém, algo saiu errado. Para a mãe de Nariman, houve má-fé dos homens contratados. Mesmo arriscando sua vida e a do filho, Nariman não desistiu e achou outra saída percorrendo trechos a pé, atravessando um rio e correndo o perigo de ser presa. "Era o único jeito de ela fugir, pois não queria voltar para o marido por temer pela sua vida e a do filho", diz Mahassen (veja quadro).

No Fantástico, apresentado pela Rede Globo neste domingo, Nariman contou ao repórter Marcos Losekann que a viagem foi difícil. Além dos obstáculos, havia o medo de que a fuga não desse certo. Sobre o relacionamento com o marido, ela conta que ele não a deixava ir a lugar nenhum, nem mesmo na casa da irmã. "Levantava a faca tentando me matar", conta ela.

Por telefone, o repórter da Globo conseguiu conversar com o embaixador Edgard Cassiano, que se mostrou otimista. Ele acredita resolver o assunto o mais rápido possível. Ontem, foi encaminhado o pedido formal ao Ministério das Relações Exteriores de remoção de Nariman e o filho para o Brasil. A idéia é que mãe e filho possam voltar antes do nascimento do bebê, previsto para janeiro.

Expectativa da volta é grande

Para os pais de Nariman, que moram em Matinhos, no litoral do Paraná, a situação da filha e do neto é preocupante. "Estamos com medo de que demore muito para que eles estejam junto a nós", conta. Mahassen Chiah, 48 anos, conversou com o neto e a filha, ontem pela manhã, e eles estão muito nervosos. O neto de seis anos chegou a chorar no telefone pedindo para voltar. A filha está extenuada e cheia de bolhas nos pés, mas passa bem.

Os pais de Nariman contam que, enquanto morou em Matinhos, Ahmed cuidava de uma loja montada pelo casal Chiah. Depois da primeira separação, em 2005, começou a vender produtos do Paraguai. Mahassen lembra que por esse motivo, Ahmed tem três processos em andamento por contrabando de CDs e DVDs. "Por sorte, agora ele não pode mais entrar no país", diz. Nariman quer retomar os estudo – antes de voltar ao Líbano estava completando o supletivo – e viver em paz, segundo a mãe. "Estamos orando muito para que tudo se resolva o mais rápido possível", finaliza.

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