
Maringá - "Oi Papai Noel, tudo bem? Eu sou a Luana, tenho 7 anos e gostaria de ganhar uma boneca que faz xixi. É muito cara essa boneca. A mamãe e o papai não têm como comprar." Ano após ano, cartinhas como as de Luana mantêm viva uma das mais fortes tradições natalinas, a de crianças pedindo presentes ao Bom Velhinho. Para dar conta dos pedidos vindos de comunidades carentes, começou este mês mais uma campanha do Papai Noel dos Correios, que este ano atenderá crianças matriculadas na rede pública de ensino até a 4.ª série do ensino fundamental.
De acordo com Kathia Mayewski, chefe da Seção de Ações Institucionais dos Correios no Paraná, a mudança segue uma orientação nacional da empresa. No ano passado, das mais de 600 mil cartas recebidas no estado, apenas 35 mil estavam dentro dos critérios do projeto, que busca atender crianças em situação de vulnerabilidade social. "Tinha criança que escrevia mais de uma carta, umas não eram carentes, outras pediam artigos que não eram tão essenciais. Dentro deste novo formato, teremos um controle maior, já que a seleção das correspondências conta com o apoio de instituições de ensino, creches, abrigos e núcleos socioeducativos."
Segundo o gerente-regional dos Correios em Maringá, Carlos Mariani, a mudança na fórmula começa a surtir efeito. "Em outros Natais, observamos pedidos de videogames, celulares. Agora as crianças fazem os pedidos de artigos de grande necessidade", diz.
O projeto deste ano também quer colaborar com a "Educação básica de qualidade para todos", um dos Objetivos do Milênio estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). "Queremos estimular a redação de cartas manuscritas, além do uso correto do Código de Endereçamento Postal (CEP) e do selo postal", explicou Kathia.
Mais cartas
O número de cartas endereçadas ao Papai Noel cresce a cada ano. Em 2009, foram postadas em todo o país 1,9 milhão de correspondências endereçadas ao Bom Velhinho, 89% a mais do que no ano anterior, com 1 milhão de cartas. No entanto, a quantidade de cartas adotadas caiu de 464,4 mil para 413,6 mil entre um ano e outro.
A advogada Amanda Vieira Domingues anualmente se torna Mamãe Noel de uma criança carente. Para ela, participar do projeto faz toda a diferença. "Nós gastamos com tanta coisa boba enquanto tem tanta criança precisando de ajuda. Então, por que não dar um brinquedo neste Natal? Pode ser um presente simples, mas é algo que vai levar felicidade para estas crianças."
Projeto tem 13 anos
O projeto Papai Noel dos Correios começou com uma iniciativa dos funcionários da empresa, que, ao receberem muitas cartas na época do Natal, comoveram-se com o conteúdo e decidiram atender, eles mesmos, os pedidos das crianças. Em 1997, a ação transformou-se em projeto corporativo e desde então é desenvolvida nas 28 diretorias regionais da empresa. Além dos funcionários dos Correios, o projeto conta com a participação da comunidade e de várias instituições e empresas.




