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Lady Laura

No enterro, povo chora com Roberto Carlos

Sepultamento do corpo da mãe do cantor atrai fãs e amigos para cemitério. Multidão fez coro com canções famosas do artista

Roberto Carlos, no momento de despedida: cantor soube da morte da mãe durante apresentação em Nova Iorque | Alvinho Duarte/Foto Arena/AE
Roberto Carlos, no momento de despedida: cantor soube da morte da mãe durante apresentação em Nova Iorque (Foto: Alvinho Duarte/Foto Arena/AE)

Rio de Janeiro - Amparado pela família, os amigos da época da Jovem Guarda e cerca de 400 fãs, Roberto Carlos sepultou o corpo de sua mãe ontem, dia em que fez 69 anos. Chorando muito, ele cantou Lady Laura, a música que compôs em sua homenagem, diante do caixão – bem baixinho, como se fosse para só ela ouvir. Laura Moreira Braga morreu no sábado, aos 96 anos. O sepultamento foi no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, pouco depois das 10 horas.

O cantor preferiu não olhar quando o caixão baixou à sepultura, e virou o rosto para o lado. Antes de sua chegada, os fãs, em parte incitados por cinegrafistas de emissoras de TV, cantaram sucessos como Jesus Cristo, Nossa Senhora, Como é Grande o Meu Amor por Você e a própria Lady Laura, canção em que fala do conforto que encontrava, já adulto, no abraço da mãe. No momento final, no entanto, silenciaram.

As pessoas chegaram cedo e não se deixaram abater pelo sol forte. "Vim em homenagem ao Roberto, quero compartilhar da sua dor", contou Odinete Moreira, de 76 anos. O público foi mantido afastado do local do sepultamento por seguranças, mas pôde assistir distante apenas vinte metros. Muita gente estava ali para ver não só Roberto, mas também Erasmo Carlos, Wanderléa, Rosemary e Jerry Adriani. O cantor chegou às 9h45, acompanhando o carro funerário, e ficou meia hora na capela, fechada ao público, onde a família o esperava. O padre Antônio Maria, seu amigo, fez as orações.

Nos últimos dois dias, Roberto não descansou: soube da morte da mãe no sábado à noite, quando se preparava para o bis no show do Radio City Music Hall, em Nova Iorque (a cidade abriu a turnê internacional comemorativa dos 50 anos de carreira, que termina na Colômbia, em junho). Tentou voltar imediatamente para o Rio, mas não conseguiu. No domingo de manhã, embarcou.

Ontem, sem condições de falar sobre a perda, ele só acenou para os fãs. Na saída da capela, Roberto carregou o caixão junto com parentes. Os amigos lembraram a personalidade afetuosa da "rainha mãe". "Pra mim, era o gênio do Roberto", disse Rosemary. "Lembro de a gente varar a madrugada gravando e ela aparecendo no estúdio, às 2 da manhã, com balinhas pra todos", contou o produtor Guto Graça Mello.

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