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Urbanismo

Nova chance para a Rua 24 horas

Novo edital de licitação para reforma e exploração comercial do espaço traz novidades em relação ao primeiro, que não teve nenhuma empresa interessada

Rua abandonada: cenário atual do antigo cartão-postal de Curitiba é desolador | Antonio Costa/Gazeta do Povo
Rua abandonada: cenário atual do antigo cartão-postal de Curitiba é desolador (Foto: Antonio Costa/Gazeta do Povo)

O atual cenário desolador da Rua 24 horas – com lojas fechadas, tapumes e nenhuma obra de manutenção – deve mudar a partir de 7 de outubro. Este é o dia marcado para a abertura dos envelopes do novo edital de licitação para reforma e exploração comercial do espaço. O primeiro foi no dia 23 de abril – na época, nenhuma das 18 empresas que haviam comprado o edital considerou viável apresentar uma proposta.

"Analisamos as dificuldades apresentadas pelos empreendedores e reformulamos o processo de licitação. Até agora, cinco empresas compraram o edital", afirma o diretor de negócios da Urbanização de Curitiba (Urbs), Clodualdo Pinheiro Júnior. A Urbs é a entidade da prefeitura de Curitiba responsável pela Rua 24 horas.

Dentre as mudanças no segundo edital, lançado no dia 8 de julho, está um prazo maior para que os empresários possam fazer uma prospecção de negócios. "Eles reclamaram que o tempo foi muito curto entre o acesso ao edital (que diz qual tipo de comércio poderia se instalar no local) e a possibilidade de angariar comerciantes interessados em alugar as lojas", afirma Pinheiro.

O edital antigo também exigia que deveria haver apenas seis modalidades comerciais na rua: um mercado, um café, um restaurante, uma loja de artesanato, uma revistaria e uma farmácia. Agora o tipo do comércio ficará livre. Também não ficou mais definido quantas lojas deverão existir: o projeto prevê apenas a criação de uma praça de alimentação. Hoje, a Rua 24 horas tem 32 módulos de 14 metros quadrados cada, que eram ocupados, em sua maioria, por pequenos restaurantes.

"Quando a rua foi projetada, há 17 anos, a idéia era oferecer a qualquer hora do dia e da noite opões de comércio", afirma Celia Bim, supervisora de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). "Isso mudou. Antigamente não tínhamos outras lojas 24 horas, agora temos. Ao invés de fazermos diversas lojas pequenas, o objetivo é fazer uma área maior para cada comércio para que eles possam ofertar serviços de melhor qualidade", diz ela. Por isso, a escolha dos comércios terá de passar pelo crivo da Urbs e do Ippuc.

Critérios

Vence a licitação a empresa que tiver condições de arcar com as despesas da reforma, calculada em R$ 4 milhões, e que propuser o valor mais alto para a taxa de concessão paga mensalmente à Urbs. Algumas regras continuam iguais: após a reforma, a empresa pode sublocar o espaço. Para a reforma, as exigências também continuam as mesmas: a cobertura deve ser substituída por vidro temperado curvo, o piso deve ser trocado e as adaptações para dar acessibilidade a deficientes, inclusive nos banheiros, precisam ser feitas.

Outro aspecto que mudou no segundo edital foi o prazo de concessão. Antes o contrato era de 10 anos, com possibilidade de ser renovado por mais 10. "Calcula-se que a empresa vencedora começará a lucrar após três anos da reforma. Isso quer dizer que ela teria sete anos de lucro. Mas as empresas acharam muito instável a possibilidade ou não de renovação. Por isso, estendemos o período de permissão para 20 anos direto", diz Pinheiro.

A área comercial deverá funcionar, em pelo menos 60%, 24 horas por dia, conforme a proposta antiga da rua. O restante terá opção de fechar entre meia-noite e 8 horas. O vencedor terá oito meses para executar a reforma: durante este período a rua ficará fechada. A reinauguração está prevista para agosto do ano que vem.

Moradores e comerciantes estão ansiosos

As lojas da Rua 24 horas foram fechadas em setembro do ano passado, quando apenas sete lojistas continuavam no local. Os que restaram desistiram dos negócios ou aderiram a um novo ponto comercial. O dono da revistaria e cybercafé que estava na rua desde a inauguração, Roberto Amaral, lembra que nunca usou chave para fechar seu comércio. "Foram 17 anos trabalhando ininterruptamente. Precisamos reviver este espaço. Estou na fila, quero voltar para lá. O entorno da rua está bonito, com novas edificações. Temos um grande público a ser explorado", conta. Roberto afirma que os moradores e comerciantes da redondeza temem apenas que a reforma fique superficial. "Não dá para passar apenas um batom. É preciso fazer uma nova rua", comenta. O espaço foi criado em 11 de setembro de 1991: foi a primeira rua do mundo que passou a funcionar 24 horas por dia.

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