
A tinta do asfalto ainda está branquinha, as placas de sinalização novinhas em folha e muitos motoristas ainda nem se acostumaram com a mudança de sentido de algumas ruas de Curitiba. Foram tantas obras de trânsito, nos últimos meses, que muita gente já não sabe mais circular pelos bairros da capital. Embora recente, parte dos novos caminhos de Curitiba feitos para desafogar o trânsito na capital já começou a dar mostras de saturação.
Praticamente recém-inaugurados, os binários (ruas paralelas com sentidos opostos) Brasília e Mário Tourinho/Major Heitor Guimarães são exemplos disto. Com tráfego lento, exigem paciência dos motoristas.
Este conjunto de binários não é o único caminho novo à disposição dos motoristas curitibanos. Fazem parte das novas alternativas também a ligação Capão da Imbuia-Hauer e o binário Santa Bernadethe. Nestes dois casos, entretanto, as mudanças têm sido elogiadas pelos motoristas.
Além destes quatro, o quinto e mais importante novo caminho de Curitiba ainda está no forno. Trata-se da Linha Verde. "Apesar de a via já existir, o tráfego dali afugentava muitos motoristas. Com a transformação, a Linha Verde passa a ser um novo caminho, no sentido de ter um tráfego mais urbano. Será uma excelente ligação norte-sul", afirma o engenheiro do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Cléver Almeida.
A primeira etapa, entre o Pinheirinho e o Jardim Botânico, deve ser finalizada até o fim deste ano, cercada de controvérsias e desconfianças em relação ao projeto. Críticos afirmam que, em pouco tempo, a nova avenida urbana irá congestionar, principalmente pelo fato de o projeto não prever a possibilidade de transposição da via com novos viadutos e trincheiras.
Dividindo o tráfego
Nos cinco novos caminhos de Curitiba binário Brasília, binário Santa Bernadethe, binário Mário Tourinho/Major Heitor Guimarães, Ligação Capão da Imbuia-Hauer e Linha Verde há uma idéia em comum: tentar equalizar o tráfego da capital paranaense. No Bigorrilho, por exemplo, a saída foi dividir o tráfego intenso da Rua Mário Tourinho com uma vizinha paralela e pouco movimentada, a Major Heitor Guimarães, deixando cada uma das vias funcionando apenas em um sentido.
Funcionou. Mas apenas no começo, dizem os motoristas. "A Major Heitor Guimarães era morta antes, mas, hoje, nos momentos de pico, fica um caos. Agora as duas ruas ficam congestionadas", afirma o comerciante Calmério Giroto, 52 anos. No binário Brasília a história é parecida. A diferença, entretanto, é que, em vez de dividir o tráfego da Avenida Brasília com uma única paralela, foi necessário compor o projeto com diversas ruas da região. A intenção, entretanto, era a mesma: desafogar uma via de tráfego intenso levando parte do movimento para ruas próximas.
Segundo motoristas que utilizam a região, entretanto, o resultado foi justamente o contrário. "Dirijo nessa região há 30 anos. Antes de modificarem, era tranqüilo o trânsito. Agora fica tudo engarrafado", afirma o funcionário público aposentado, Oscar Ferreira Spena, 58 anos. "Acho que escolheram as ruas erradas para compor o binário com a Avenida Brasília", opina Spena.
Já as intervenções feitas para formar o binário Santa Bernadethe são elogiadas pelos motoristas. "Ficou muito bom para cortar caminho até o Hauer. Dá para ir direito. É a metade do caminho que eu tinha de fazer antes", afirma o motorista Edson Zacaria, 45 anos. O segredo é que, neste caso, a intervenção chegou antes do trânsito. O binário foi criado efetivamente para ser um novo caminho e não porque tinha vias na região que não suportavam sozinhas determinado tráfego. Pelo contrário, antes de as máquinas chegarem, havia ali trechos e trechos de anti-pó. "O binário Santa Bernadethe é efetivamente uma nova ligação, um novo caminho", diz Almeida.




