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Novo capítulo da novela

A possibilidade de regulamentação dos bingos no Brasil, aparentemente, não está entusiasmando os empresários que atuavam no ramo no Paraná. Amanhã, o relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), deve apresentar o relatório das investigações da comissão e sugerir a legalização da atividade. Mas, de acordo com o presidente da Federação Brasileira de Bingos (Febrabingo), Carlos Eduardo Canto, os empresários do estado teriam dificuldade para voltar à ativa. "Por conta da disputa travada com o governo do estado, tivemos um custo alto para nos mantermos. Eu mesmo perdi muito dinheiro", diz.

A expectativa da legalização, como era de se esperar, desagrada o governo do estado, que promete continuar a cruzada contra os bingos. Segundo o procurador-geral do estado, Sérgio Botto de Lacerda, o bingo é um instrumento de difícil controle, que permite a lavagem de dinheiro. "Há episódios passados que mostram isso. O governo já demonstrou o que eram essas casas de jogos", comenta.

O senador Flávio Arns (PT-PR) também se coloca contrário à proposta e diz que a idéia de sugerir a legalização não é consenso nem dentro da própria CPI. "Eu não sabia que o relator tinha tomado essa decisão. Achava que ele iria propor o plebiscito", disse. Para ele ainda é cedo para se discutir a legalização, porque é preciso aprofundar o debate sobre o dinheiro que circula nos bingos, e o tema não justifica uma consulta popular.

Caminho

Se a legalização for realmente proposta no relatório da CPI, há ainda um longo caminho até que a atividade seja regularizada: é necessário que um projeto de lei seja apresentado, analisado pelas comissões e aprovado pelos deputados e senadores, para então ser sancionado pelo presidente.

Talvez por isso, alguns antigos empresários do setor não demonstrem entusiasmo. Alceu Cordeiro Júnior, que tinha uma casa em Curitiba, disse que já desistiu e não está mais interessado em investir na área. Posição diferente tem o engenheiro civil Celso Lanzoni. Investidor do ramo por sete anos, ele diz que está disposto a retornar.

Para o vereador Fábio Camargo, que ficou do lado dos bingueiros na briga com o governo do estado, a questão no estado representou um falso moralismo. "O jogador não parou de jogar: ou foi para as casas clandestinas ou para Santa Catarina", garante. Apesar de nenhum empresário ter confirmado, o vereador diz que já existe uma movimentação no Paraná para a retomada das atividades nos bingos. Autor da lei municipal que regularizava a concessão de alvará para a atividade e instituía a cobrança de impostos, Camargo teria inclusive se colocado à disposição da administração municipal para ajudar a organizar o setor na cidade.

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