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Terceira idade

O Brasil envelhece a olhos vistos

Em menos de 40 anos, os idosos serão um terço da população brasileira. “Bomba-relógio” da previdência ameaça qualidade de vida na velhice

  • Caroline Olinda
Antônio Ortiz, o ex-funcionário público |
Antônio Ortiz, o ex-funcionário público
 
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O Brasil está envelhecendo, e rápido. Com o aumento da expectativa de vida e a queda na taxa de fecundidade (número de filhos por mulher), em menos de 40 anos 30% da população será formada por idosos, segundo o IBGE. A projeção acende um sinal amarelo para o governo, que precisa implementar logo reformas nas áreas previdenciária e de saúde, e aumentar investimentos em políticas sociais voltadas à terceira idade. Sem isso, o brasileiro corre o risco de chegar à velhice sem condições de manter a qualidade de vida.

INFOGRÁFICO: Confira a mudança no perfil da pirâmide populacional brasileira

Estudo das Nações Unidas divulgado no início do mês revela que o Brasil ocupa a 31.ª posição entre os países que apresentam as melhores condições de vida para os idosos. Muito disso se deve à segurança de renda garantida, em grande parte, pela Previdência Social. Segundo o levantamento realizado em 91 países, quase a totalidade das pessoas com mais de 60 anos no Brasil recebe algum tipo de pensão ou aposentadoria. Mas o ponto de destaque do país no estudo é, na verdade, uma bomba-relógio.

Se nenhuma mudança for promovida, a previsão é que os sistema gere um déficit de R$ 236,4 bilhões em 2036 – o equivalente a 1,17% do Produto Interno Bruto (PIB) projetado. No ano passado, em um cenário de pleno emprego e com 60% da população em idade ativa, a previdência já fechou as contas no vermelho: prejuízo de R$ 42,3 bilhões – 0,89% do PIB. Em 2050, quando teremos um idoso para cada 1,9 brasileiro em idade ativa, a previsão é de um quadro catastrófico, de aposentadorias cada vez mais baixas e déficit insustentável.

Apesar da necessidade de reforma urgente no sistema, nenhuma mudança trará vantagens ao trabalhador. “Não existe reforma de previdência para melhorar os benefícios. Ou são para aumentar a contribuição ou para diminuir o valor ou o tempo do benefício”, comenta o economista Renato Follador, especialista em previdência.

Ele destaca que a tendência é que haja um achatamento das aposentadorias pagas pela previdência pública ao longo dos anos. De acordo com Follador, continuando como está, o teto do INSS será de três salários mínimos em 2038. “E esse fenômeno é no mundo todo”, observa.

Para garantir uma renda maior na velhice, a alternativa é investir em planos de previdência privada, que lhe garantam, pelo menos, um dinheiro extra para o pagamento do plano de saúde e compra de medicamentos, duas despesas que acabam pesando no bolso depois dos 60.

Jovens devem se preparar para a velhice

Quem vai cuidar de você na velhice? O melhor é que sua resposta seja: eu mesmo. É isso o que recomendam os especialistas em terceira idade. As pessoas devem se preparar ainda na juventude – do ponto de vista financeiro, principalmente – para não precisar contar com os cuidados da família quando estiverem idosos.

“As famílias hoje são diferentes. Temos poucos filhos, muitas vezes eles vão morar fora, as casas também estão menores. Acaba que o final da vida do idoso é só. Então, ou o Estado entra para proteger essa pessoa ou ela vai usar a sua poupança para contratar cuidadores. Não dá para contar com a família”, diz Renato Veras, diretor da Universidade Aberta da Terceira Idade, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Veras observa que essa situação ocorre no mundo inteiro. Ele relata um caso recente em Portugal no momento em que o país passa por uma crise financeira. “Muitas famílias abandonaram seus idosos para tentar a vida em outros países e esses idosos acabaram morrendo por falta de cuidados”, conta.

Atendimento médico

Governo vai precisar investir mais recursos em saúde

Gastos com remédios e assistência hospitalar também pesam nas contas públicas à medida em que a população vai envelhecendo. No quesito condições de saúde, o Brasil recebeu 56,8 pontos – numa escala de zero a 100 – no levantamento das Nações Unidas que mediu as condições de vida dos idosos. “Existe a transição demográfica e também a epidemiológica, com a diminuição dos quadros infectocontagiosos e o aumento das doenças crônicas e degenerativas, pouco letais, mas incapacitantes”, diz o geriatra Rubens de Fraga Júnior, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Ele explica que esses males dependem de mais recursos do governo. “São doenças que demandam um tratamento multidisciplinar, locais adequados para o atendimento dessas pessoas e a capacitação de cuidadores”, comenta.

No Brasil, as patologias crônicas são responsáveis por 74% das mortes. Antes de a pessoa morrer, porém, ela pode passar anos convivendo com a doença e com uma qualidade de vida baixa. Segundo Fraga Júnior, com o envelhecimento, é quase certo que a pessoa desenvolva alguma doença crônica. O ponto, de acordo com ele, é retardar essa situação ao máximo para dar “vida aos anos e não apenas anos à vida”.

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