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Ofício

O encanto dos brinquedos artesanais

Em tempos de jogos eletrônicos, artesãos habilidosos levam adiante a magia dos brinquedos feitos à mão

Nilo Pergoraro faz casinhas de boneca na oficina: “Os olhos das crianças brilham” | André Rodrigues/Gazeta do Povo
Nilo Pergoraro faz casinhas de boneca na oficina: “Os olhos das crianças brilham” (Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo)

As mãos hábeis no trato com a madeira vão juntando as pequenas peças. Dão forma não só às casinhas de bonecas – com três pavimentos, janelas e escadas –, mas a todos os móveis que dão ar de realidade ao brinquedo. Há 29 anos, esta é a rotina do artesão Nilo Sérgio Pergoraro. Mesmo em tempos em que jogos eletrônicos e itens mais sofisticados ganham a preferência da maioria da piazada, artesãos como ele resistem ao tempo. Levam adiante a fantasia que este tipo brinquedo desperta nas crianças. Ainda mais no Natal.

"Nós transformamos pedaços de madeira em algo que faz os olhos das crianças brilharem", define Nilo, de 57 anos. "Isso [o brinquedo artesanal] não vai morrer nunca, porque faz as crianças brincarem juntas, desenvolverem suas próprias histórias", avalia.

Hoje, 186 expositores, espalhados pelas 24 feiras de artesanato e quatro feiras de época de Curitiba, estão cadastrados junto à Secretaria Municipal de Turismo para comercializar brinquedos feitos à mão. São produtos como bonecas, marionetes, fantoches, miniaturas de madeira, jogos educativos, pipas e malabares.

O caderninho de pedidos de Nilo comprova que a demanda aumenta no período natalino. Para dar conta de atender a todos, ele permanece na oficina que fica nos fundos da sua casa, em São José dos Pinhais, até tarde da noite. Além de tirar o sustento da família da atividade, o artesão ainda recebe outro pagamento. "É o sorriso deles. Não tem preço ver uma criança brincando com algo que você fez", diz.

Orgulho

O artesão curitibano Ag­nelo Dirsan Cequiño também passa o dia entre martelos e lixadeiras, de olho na felicidade das crianças. Produz balanços, carrinhos, aviõezinhos, pernas-de-pau, tudo de madeira. Ao final, orgulha-se de suas "criações".

"Gosto de todos que faço. Eu admiro, porque faço para agradar as crianças, para ver os olhinhos delas brilharem", conta. Com a experiência de seus 78 anos de idade, ele também não teme a concorrência dos videogames e jogos de celulares. "Nunca vão ter a mesma graça [que um brinquedo artesanal]", resume.

Além da diversão, a artesã Teresinha Barreto ressalta que alguns jogos – como da memória, quebra-cabeças e dominó, que ela produz – auxiliam no desenvolvimento psicológico das crianças. As formas, as cores e os encaixes encantam e são um convite à brincadeira. "É mais divertido, porque a criança está pegando na madeira, manuseando. Isso é importante", diz.

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