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Inovação

O fabricante de soluções do Boqueirão

Participante ativo das conquistas infraestruturais do bairro, onde vive há mais de quatro décadas, Elias Saade Filho quer contribuir para o desenvolvimento sustentável da região

 | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
(Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)
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A vida dos mais de 70 mil habitantes que vivem hoje no Boqueirão, em Curitiba, dificilmente seria a mesma sem o esforço de cidadãos comuns como Elias Saade Filho. Dos 64 anos de vida do nativo da zona rural de São José dos Pinhais, mais de 40 foram dedicados às causas do bairro curitibano. Por meio da participação na associação de moradores – que ajudou a fundar –, viu nascer o posto de saúde, a canalização de água e esgoto e o consequente fim das cheias do Rio Belém. Sempre pronto a criar soluções, há anos trabalha em uma ideia que pode resolver, simultaneamente, problemas ambientais, habitacionais e de renda: a construção de casas com bloquetes feitos de pneu triturado e caixas Tetra Pak.

Tudo começou em 2008, quando fechou a fábrica de manilhas – inaugurada pelos moradores na década de 1970 para resolver o problema das enchentes e arrendada por Saade anos mais tarde – e foi trabalhar com os catadores da favela Meia Lua. "O lixeiro chegou e não quis levar 13 pneus que estavam lá. Precisei levá-los até a Coca-Cola e pagar R$ 20 para darem um fim neles." Incomodado com a destinação do resíduo, resolveu começar testes com as 22 formas, em formato de casa de abelha, que haviam restado da finada empresa. "Pensei: ‘poxa, tenho as formas, entendo de concreto, tenho que achar uma solução’", recorda.

Aos poucos, foi acertando a composição da massa – que leva areia, borracha e cimento – e o tamanho do furo interno do bloco, feito com apoio de uma caixa de leite. "É uma forma de tirar também essas embalagens do meio ambiente, porque elas ficam dentro do bloquete", explica Saade. O resultado foi tão positivo que rendeu a ele o 3.º lugar no prêmio de Inovação Tecnológica do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), em 2010, mesmo ano em que deu entrada na patente do invento. "Podem existir blocos retangulares com pneu, mas bloquete sextavado não."

Teste

A firmeza e a aplicabilidade do produto, garante Saade, são comprovadas por uma parede que ergueu nos fundos de casa há quatro anos. "Já deu temporal, redemoinho de vento e está em pé", comemora. Agora, ele busca parceiros que queiram construir uma casa de 100 metros quadrados com os bloquetes que armazena no quintal para provar definitivamente a viabilidade do invento. "O isolamento acústico e térmico do material é ótimo. O problema é que cada bloquete custa R$ 4,50, valor 50% mais caro do que o de mercado. Mas os construtores não levam em consideração que ele já vem furado para passar canos e fiação e que é mais fácil rebocar e calfinar. O que se economiza de mão de obra, compensa", calcula.

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