
Qual é o grande drama da vida sexual de um homem brasileiro? Os médicos especialistas no assunto não têm dúvidas em responder é o medo de não conseguir uma ereção ou de perdê-la antes do tempo. Em segundo lugar, vem o medo da ejaculação precoce. E em terceiro, muito mais freqüente entre os jovens, o medo de que a mulher ache seu pênis pequeno demais.
Não é à toa que os homens têm medo de falhar. Um levantamento realizado pelo Projeto de Sexualidade da Universidade de São Paulo (USP), mostrou que 45,1% dos brasileiros apresentam ou apresentaram algum sinal de disfunção erétil. Em dois terços dos casos, são sintomas leves ou seja, falhas eventuais. Mas se forem somados todos os casos, dos moderados aos constantes, chega-se à conclusão de que quase metade da população adulta já teve de dizer à parceira que "aquilo" nunca havia lhe acontecido antes.
Curiosamente, as famosas pílulas para ereção como Viagra, Cialis e Levitra ainda não foram suficientes para tirar da cabeça dos homens o fantasma da falha. Antes de mais nada, porque os brasileiros resistem em procurar ajuda mesmo quando o problema passa a se tornar freqüente. O tempo entre o aparecimento da disfunção e a ida ao médico para tentar resolver o problema fica, em média, em cinco anos no Brasil.
Mas não é só isso. Os resultados dos testes mostram que não é em todos os casos que os medicamentos orais trazem a solução para o problema. As pílulas resolvem cerca de 85% dos casos. Nos 15% restantes, são recomendados tratamentos psicológicos ou métodos mais invasivos, que vão desde medicamentos injetáveis até próteses penianas.
"O que é importante dizer", afirma o urologista Luiz Otávio Torres, presidente da seccional mineira da Sociedade Brasileira de Urologia, "é que as mulheres não costumam abandonar seus homens por causa da disfunção erétil, mesmo que ela seja grave". Segundo ele, o que a maioria das mulheres não admite é que o homem se recuse a procurar tratamento.
O segundo maior problema dos brasileiros na cama é a ejaculação precoce. "Nosso estudo apontou que 25% dos brasileiros ejaculam antes do que gostariam", afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto da Sexualidade da USP e do Estudo da Vida Sexual do Brasileiro. Para Luiz Otávio Torres, o número pode ser ainda maior, já que alguns homens podem ter disfarçado o problema na pesquisa.
Torres afirma que em toda a sua carreira nunca encontrou um caso de ejaculação precoce que tivesse origem em um problema orgânico. "É sempre psicológico", afirma. Por isso, um dos tratamentos mais recomendados funciona à base de antidepressivos. Os especialistas, no entanto, dizem que cada caso precisa ser estudado e que só um médico pode apontar qual é o medicamento capaz de resolver cada situação. Em alguns casos, a mera superação da ansiedade pode resolver o problema.
Tamanho
Embora os médicos e a maioria das mulheres digam que o tamanho não é o que importa, os homens brasileiros continuam se importando com o assunto. "É um medo comum principalmente nos adolescentes", relata Luiz Otávio Torres. Segundo ele, um levantamento feito no Brasil mostra que mais de 90% da população masculina, em estado de ereção, têm pênis entre 10,5 cm e 17 cm.
"O problema de micropênis só é considerável quando o sujeito tem menos de 7,5 cm", afirma. Nesses casos, que segundo ele são raros, recomenda-se tratamento médico. "Mas nunca esse tratamento com pesos divulgado pela internet. Isso não tem resultado nenhum", diz.
O repórter participou do 1.º Fórum da Sexualidade, em São Paulo, a convite da Eli Lilly do Brasil.



