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Corrida espacial

O passo adiante no turismo sideral

A ideia de pessoas comuns viajarem ao espaço não é nova – na época do primeiro pouso na Lua, empresa aérea aceitava reservas, e curitibanos quiseram garantir seu lugar

Aos 56 anos, Vilson Milarch mantém o entusiasmo pelos temas do espaço que o levou a ser o primeiro curitibano a reservar um voo lunar no escritório da Pan Am | Priscila Forone/Gazeta do Povo
Aos 56 anos, Vilson Milarch mantém o entusiasmo pelos temas do espaço que o levou a ser o primeiro curitibano a reservar um voo lunar no escritório da Pan Am (Foto: Priscila Forone/Gazeta do Povo)
Da oferta da Pan Am só sobrou a carteirinha, hoje artigo de colecionador |

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Da oferta da Pan Am só sobrou a carteirinha, hoje artigo de colecionador

Milarch aos 16 anos, quando fez sua reserva: os pais não levaram muito a sério |

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Milarch aos 16 anos, quando fez sua reserva: os pais não levaram muito a sério

Na primeira semana de fevereiro, o presidente norte-americano, Barack Obama, engavetou o plano de volta à Lua ao anunciar cortes no orçamento de US$ 3,8 trilhões para o ano fiscal de 2011, que começa em outubro deste ano, descartando o projeto da Nasa de repetir o pequeno passo para o homem e o grande salto para a humanidade, nas palavras de Neil Armstrong em 1969. A imprensa repercutiu a decisão como sendo "um passo atrás" na exploração espacial. Mas, apesar da recusa do governo dos Estados Unidos, empresas privadas prometem levar o homem ao espaço em poucos anos. No entanto, a perspectiva de um passeio espacial pertence tanto ao futuro quanto ao passado.

Em agosto de 1969, pouco depois do pouso histórico da equipe da Apollo 11, os escritórios da Pan American World Airways, a Pan Am, poderosa empresa aérea da metade do século passado, aceitavam, sem compromisso e sem data marcada, reservas para viagens à Lua. E houve curitibanos que se dispuseram a ter seu dia de astronauta. O agente de viagens Sid­­­nei Catenaci conta que, em 1969, fez uma reserva para um cliente seu, e também sua própria reserva. Um dos candidatos era Giovanni Domenico Pacifici, italiano de nascimento, brasileiro naturalizado, curitibano de coração, frequentador da Boca Maldita, que fez sua reserva no primeiro semestre de 1969. Segundo conhecidos, ele teria voltado para a Itália, onde faleceu.

Mas o primeiro a procurar o escritório da Pan Am em Curitiba foi o jovem Vilson Milarch, então com apenas 16 anos, aluno da Escola Técnica Federal do Paraná (o extinto Cefet, hoje UTFPR). Enquanto a viagem não vinha, ele se formou em Biologia pela PUCPR e até a década de 90 manteve correspondência com a Nasa. Hoje, ele tem 56 anos, é casado, tem duas filhas e dois netos, e é proprietário e diretor de um centro de educação profissional.

Lista de espera

A paixão pelos temas do espaço, no entanto, continua. "Sem­­pre acompanhei a conquista do espaço com entusiasmo. Tudo era muito novo, os astronautas eram verdadeiros heróis, e eu me perguntava se as pessoas comuns teriam alguma chance. Aí veio a possibilidade oferecida pela Pan Am", recorda. Durante a transmissão do voo da Apollo 8, em dezembro de 1968, o empresário Juan Trippe, dono da Pan Am, anunciou na televisão que a empresa criara uma lista de espera para os interessados em viajar para a Lua.

Três anos depois, ao encerrar as "reservas" de seus futuros voos para o espaço, o "Clube dos Primeiros Voos Lunares" tinha cerca de 93 mil nomes. "Eu levei o anúncio a sério. Trip­­­­­­pe era um homem arrojado e a Pan Am era uma das mais prestigiadas companhias do mundo, que tinha tudo para ser a pioneira em viagens espaciais", diz, para justificar o entusiasmo e a pressa.

A decadência da empresa começou no fim dos anos 80, e a Pan Am, que era um ícone da aviação comercial, encerrou as atividades em 1991. Da promessa dos voos lunares restaram os cartões enviados a quem teve seu nome inscrito na lista da espera. Hoje, esse cartão é artigo de colecionador – e Milarch guarda o seu com carinho.

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