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12 de outubro

O que Curitiba pode dar para as crianças?

A Gazeta do Povo cedeu este espaço aos alunos de duas escolas, uma pública e uma particular, para que eles pudessem escolher um presente para receber da cidade

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Se alguém perguntasse a uma criança o que ela gostaria de receber da cidade onde mora, neste dia 12 de outubro, você seria capaz de adivinhar as respostas? A Gazeta do Povo intermediou essa conversa e deu a oportunidade para que elas, crianças de 8 a 10 anos, pudessem desenhar e escrever qual se­­ria o presente mais importante que poderiam ganhar de Curi­­tiba. As respostas variam, mas expressam um desejo comum: elas querem realmente ser crianças, ter espaços para poder brincar (sem ter de pagar por isso), ter acesso a uma alimentação saudável, a um sistema de saúde pú­­blica, a um lar digno de ser habitado e poder conviver mais com os pais, que estão muito atarefados e longe de casa.

É pedir muito? Para especialistas consultados pela reportagem, os desejos mostram que os adultos estão esquecendo das crianças, de brincar com elas. E o pior: as cidades estão cada vez mais sendo projetadas na lógica dos adultos – os espaços infantis estão perdendo terreno. "As redações e desenhos falam sobre democracia, igualdade so­­cial. Elas estão ensinando os adultos sobre o que é isso", explica a doutora em educação e pedagoga pela Uni­­ver­­si­­dade Federal do Paraná (UFPR) Valéria Milena Roh­­rich Fer­­reira.

Um dos alunos, que estuda na 4.ª série, pede a Curi­­tiba um vale de R$ 20 que deve ser distribuído para todas as crianças que vivem no município, porque assim elas terão o direito de brincar e, no futuro, serem mais felizes. Diversas outras solicitam espaços de recreação gratuitos, com brinquedos, qua­­dras de futebol, piscina de graça com acesso também a aquelas crianças que têm algum tipo de deficiência física. "Parece que elas estão gritando: chega de capitalismo, não quero mais vi­­ver neste mundo de compras. Queremos tudo de graça porque brincar precisa ser um ato de generosidade", afirma a psicóloga Marina Almeida, do Instituto Inclusão Brasil, de São Paulo.

Há ainda textos e ilustrações que retratam a realidade em que as crianças vivem: elas querem mais do que brinquedo, preferem passar o Dia das Crianças com os pais – necessitam de mais atenção familiar. O tema meio ambiente também foi bastante recorrente. "Um número de crianças responde a partir das teorias que são construídas com os adultos, com a mídia, com o projeto de cidade (a imagem de Curitiba) que é passada a elas, mesmo que isso não seja efetivamente a realidade. Elas repetem um discurso que ouvem o tempo todo. Outras demonstram o que elas vivem na prática: falta atendimento médico, uma sociedade mais igual", diz a pedagoga.

Valéria já fez um tipo de pergunta semelhante às crianças, para a tese de doutorado. Elas deveriam representar no desenho e no texto a cidade onde vivem. "A pesquisa mostrou que existem em Curitiba dois grupos de crianças: o das que são estabelecidas na cidade e o das que são discriminadas", diz. Na pesquisa da Gazeta do Povo não houve muita diferença entre as respostas dos alunos da escola pública ou da particular. Para Valéria, isso ocorreu porque ambos os colégios estão centralizados (bem localizados) no município.

"Se você vai para a periferia ou aos lugares menos favorecidos, vai perceber que a criança não repete o discurso da cidade limpa, da preservação do meio ambiente, do direito de ter um parque para o lazer. Elas falam apenas da realidade delas", diz. Isso demonstra que ainda existem crianças, segundo Valéria, que vivem nos limites do bairro, que têm pouca possibilidade de ampliação cultural e de circular pela cidade onde vivem. "Elas não falam de espaço de lazer, porque nem sonham que podem pedir isso ao prefeito."

Agradecimento especial às duas instituições de ensino que aceitaram a proposta – Escola Municipal Presidente Pedrosa e Escola Terra Firme

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