Brasília O seqüestro do repórter Guilherme Portanova e do auxiliar técnico Alexandre Coelho Calado da Rede Globo e a imposição dos bandidos para que a emissora exibisse filme criticando o sistema carcerário repercutiu entre as entidades de direitos civis, porém poucos políticos quiseram comentar o assunto. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, disse em nota que não ficou surpreso com a ação. "Surpreso não. Em função dos acontecimentos que vêm ocorrendo seguidamente em São Paulo, onde já deixamos a fase aguda deste problema e estamos quase em uma fase endêmica. Busato se diz "altamente revoltado com a insensibilidade, com a inapetência e a anomia das autoridades brasileiras em relação a esse problema em São Paulo".
O presidente da OAB criticou a "a falta de competência" das autoridades que cuidam da segurança pública em São Paulo e no Brasil. Para conter de forma emergencial parte da violência em São Paulo, ele defendeu que o Executivo edite uma medida provisória (MP) liberando os R$ 100 milhões que foram anunciados para ajudar na segurança e construção de presídios na capital paulista. O governo federal argumenta que o dinheiro não foi liberado porque São Paulo não apresentou a documentação necessária para o empenho da verba. Nesse caso, estariam claramente configurados os requisitos da urgência e relevância. "Uma medida provisória poderia, emergencialmente, evitar a burocracia e ir direto a seus fins", afirmou.
Discretos
O candidato à presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, considerou que o ato "tenha características de atentado político", mas não foi além. "Não vou falar porque posso prejudicar a vítima", disse. No sábado, o ex-prefeito da capital José Serra, candidato a governador pelo PSDB, disse que o PCC tem uma relação de antagonismo com os tucanos. "Que o crime organizado tem hostilidade em relação ao PSDB, não tenho dúvida. Não sei se tem um componente político, mas que eles tem uma oposição e um antagonismo grande com o PSDB é um fato. Isso aparece em todas as gravações e conversações que até hoje vieram a público."
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), e seu secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, optaram por sair dos holofotes no dia seguinte ao seqüestro. Diferentemente da exposição constante que tiveram na mídia durante a semana, ontem eles não participaram de eventos públicos nem deram entrevistas.
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) foi um dos raros integrantes da cúpula do governo federal a se manifestar. Disse que a ação demonstra uma "ousadia inaceitável" por parte do crime. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha o caso desde sábado por relatos do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), que, por sua vez, se manteve em contato com Lembo.



