Em Foz do Iguaçu, obras mal dimensionadas e serviços inoperantes são exemplos do mau uso do dinheiro público. Um deles é o Ligeirinho, meio de transporte urbano que faz sucesso desde 1991 em Curitiba, mas que nunca foi aceito pela população iguaçuense. Implantado experimentalmente em 1997, durante os Jogos Mundiais da Natureza, e retomado em 2003, o sistema custou aproximadamente R$ 1,1 milhão, recursos provenientes do Paraná Urbano, programa do governo do estado.
As 21 estações-tubo logo foram batizadas de microondas pelos cobradores, obrigados a enfrentar temperaturas de até 50ºC no interior das estruturas. Sem regularidade nas linhas e terminais alimentadores para consolidar o transporte integrado, o serviço foi completamente ignorado pelos usuários e descartado pelos empresários do setor.
Em dezembro do ano passado, o superintendente do Foztrans Instituto de Trânsito e Transportes de Foz do Iguaçu Yoshimitsu Oda, desativou o Ligeirinho de maneira tão silenciosa quanto foi seu pouco uso durante o tempo em que funcionou na cidade. Hoje os equipamentos são alvo de vandalismo e exigem periódica manutenção. Há dez dias, as estruturas começaram a ser retiradas das ruas. Duas estações-tubo foram emprestadas para a capital. As demais serão vendidas, de acordo com Oda.
Outro exemplo é o Espaço das Américas, às margens dos rios Paraná e Iguaçu, criado para sediar vários projetos, como a Universidade das Américas, que nunca saiu do papel. Construída no fim do primeiro governo de Jaime Lerner, a estrutura é ousada. Uma enorme muralha de pedra serve de alicerce para o espaço com estrutura de madeira e um enorme anfiteatro, que sediou poucos eventos. O último foi o Encontro Latino-Americano da Rede Paz, em outubro de 2005. No último dia, a queda de um raio danificou a estrutura do anfiteatro, que está desativado.
Os Jogos Mundiais da Natureza deixaram mais exemplos de abandono. Um amplo estacionamento foi construído no início de 1997 para utilização durante as competições de canoagem que estavam previstas para os jogos. Porém, o Canal da Barragem, cuja construção foi iniciada com mão-de-obra do Exército dentro da Usina de Itaipu, ficou pronto dez anos depois e o estacionamento nunca foi utilizado.
Outra herança do evento esportivo é a própria Base Náutica, uma das seis construídas no Lago de Itaipu para as competições. Algumas dessas estruturas foram repassadas aos municípios, mas outras estão se desmanchando. O cenário na Base Náutica de Foz é desolador. Alvo de vândalos, não restou nenhum vidro nas esquadrias de janelas e portas de uma área de 2 mil metros quadrados que custou R$ 3 milhões aos cofres estaduais. As paredes queimadas indicam que o local é utilizado no inverno por drogados ou mendigos. As telhas estão caindo ou sendo retiradas por ladrões.
O imenso matagal predomina em quase toda área, com exceção de algumas trilhas com sinais de intensa passagem de veículos. Órgãos de segurança suspeitam que o local é utilizado por contrabandistas e narcotraficantes.
Segundo o deputado estadual Dobrandino Gustavo da Silva, o governo do estado pensa em repassar a Base Náutica ao município. A prefeitura tem intenção de aplicar o terminal turístico de Três Lagoas, mas o local também pode sediar um pólo de esportes náuticos. Recentemente, o antigo canal da barragem foi homologado para competições de canoagem para prática de slalom e canoagem em alta velocidade.



