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Polêmica

ONG vai ao MP contra cura da homossexualidade

Organização de Londrina que promete tratar gays causa revolta do Grupo Dignidade

O Grupo Dignidade entrou ontem com uma representação no Ministério Público (MP) contra a organização cristã Êxodos do Brasil, com sede em Londrina, Região Norte do estado, pela discriminação contra homossexuais. A organização não-governamental (ONG), que luta pela cidadania de gays, lésbicas, transgêneros e transexuais, pede "a averiguação da legalidade das ações da Êxodos, bem como a configuração dos crimes de charlatanismo e curandeirismo por parte de seus dirigentes."

A Êxodos tem como objetivo "curar homossexuais com o poder transformador de Jesus Cristo." A "terapia para homossexuais" foi tema de uma reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, do domingo passado, e causou indignação em ONGs de direitos humanos de Gays, Lésbicas, Transgêneros e Transexuais.

A reportagem do Fantástico narrava a polêmica causada nos EUA, após um adolescente americano, de 16 anos, publicar em seu blog a angústia de, após assumir sua orientação sexual para os pais, ser obrigado a entrar para um campo de concentração de recuperação de homossexuais. "Essa organização responde por uma série de processos nos EUA", conta o presidente do grupo, Tony Reis.

O líder homossexual afirma que ficou indignado com o trabalho da Êxodos e comparou a atividade ao campo de concentração de Hitler. "Essa organização religiosa não acredita na ciência. A psicologia já avalia a homossexualidade como uma vertente da sexualidade. O que eles estão fazendo é um retrocesso. Parece o Hitler, que prendia homossexuais em campos de concentração para poder estudá-los", compara Reis.

A advogada do Grupo Dignidade, Silene Hirata, também pretende abrir processo criminal contra os representantes da organização por curandeirismo e charlatanismo. Silene lembra que, em 17 de maio de 1993, a homossexualidade foi retirada do Código Internacional de Doenças (CID), portanto deixando de ser considerada patologia. "Dessa forma a entidade também está cometendo crime contra o consumidor por vender a cura da homossexualidade", diz.

Reis lembra que, em 1995, o Grupo Dignidade fechou, em Curitiba, uma casa que dizia curar homossexuais. "Não podemos aceitar atitudes e conceitos da Idade Média, temos que aplicar a legislação pertinente para coibir esse tipo de situação, afinal nosso estado é laico", afirma. A reportagem tentou entrar em contato com a sede da Êxodos do Brasil, por telefone, mas não encontrou ninguém.

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