
Curitiba tem 5 mil quilômetros de ruas distribuídas por seus 75 bairros. Deste total,1,1 mil quilômetros são rota de circulação de ônibus. Porém, em metade das ruas utilizadas pelo transporte coletivo as condições são precárias. Até julho deste ano, 15% das vias ainda eram de saibro e 37% de antipó pavimento conhecido pela rápida formação de buracos. Segundo a prefeitura de Curitiba, a porcentagem atual de vias de antipó e saibro diminuiu: nos últimos quatro meses, cerca de 70 quilômetros de ruas de saibro foram pavimentadas. Os novos dados, no entanto, ainda não foram computados.
A prefeitura informa que os espaços em que o piso de saibro predomina estão localizados em antigas áreas de ocupação, que foram regularizadas recentemente. Este ano, a prefeitura asfaltou 330 quilômetros nas vias da cidade, sendo que 150 quilômetros são em ruas por onde os ônibus circulam. O objetivo é, até 2012, asfaltar mais 1,5 mil ruas em toda a cidade.
Segundo a Urbs, empresa responsável pelo transporte coletivo de Curitiba, o itinerário seguido pela maior parte dos ônibus é baseado nos antigos planos de mobilidade da cidade. Modificações e expansões ocorrem quando existe necessidade. Nas ampliações da malha de ônibus, a companhia leva em consideração as vias que oferecem melhor infra-estrutura. Quando não há ruas em condições regulares, é feito um pedido à prefeitura para que o asfaltamento seja incluído no cronograma de obras da cidade.
Conforme os usuários, na região central da cidade e nas proximidades dos terminais de ônibus, as vias oferecem boas condições. A situação é mais crítica nos bairros. "É excelente ter o ônibus perto da minha casa. O que não entendo é o fato de a nossa rua (Ildefonso Stockler de França, no bairro Novo Mundo) estar nesta situação há mais de dez anos", diz a técnica capilar Cilene Duarte, 40 anos. Mesmo com três ônibus passando pela rua (Novo Mundo, Vila Cubas e Wenceslau Braz), ela lamenta que nunca tenha sido colocado asfalto e também a falta de meio-fio em um dos lados da via.
Outras linhas do transporte coletivo da capital também enfrentam dificuldades com os tipos de pavimento nos bairros. "Perto do terminal, é tudo ótimo. Em compensação, no bairro, o antipó é bem ruim. Sempre surgem novos buracos, mesmo que alguns sejam tapados", diz a secretária Janaína dos Santos Soares, usuária da linha Fazendinha. "Perto do bairro é que começa o problema. Em pé ou sentado, você vai pingando dentro do ônibus. É complicado para o motorista e para quem viaja no coletivo", aponta Maria da Graça Ferreira, auxiliar de serviços gerais, que utiliza diariamente o ônibus Vila São Paulo.
Quebras
As empresas de ônibus de Curitiba e região metropolitana não têm levantamentos sobre o número de problemas decorrentes da falta de estrutura das vias. Segundo a assessoria da Urbs, cada empresa deve manter 10% de sua frota na garagem para fazer a trocar em caso de avaria ou quebra de veículo, problemas comuns no cotidiano e que precisam ser resolvidos rapidamente.
Para o gerente de manutenção da Redentor, John Harrison, as partes dos ônibus que mais sofrem com as más condições das vias são os pneus e a suspensão. "Nós temos 310 carros na empresa. Por mês, realizamos 35 trocas de pneus, sendo que, em média, 15 ocorrem por falta de estrutura das ruas", diz. "A suspensão também apresenta problemas por esse motivo. Por mês, temos de cinco a seis veículos com problemas nas molas", completa Harrison. Conforme a empresa Cidade Sorriso, não há como ter certeza das ocorrências por essa razão, mas não é algo representativo para a companhia.
Antipó deveria ser usado só em ruas com baixo tráfego
A engenheira civil Luciana Takahashi diz que o antipó não é recomendado para vias por onde circulam ônibus e caminhões. "Ele é colocado direto em cima do piso original da rua. É indicado para vias de baixo tráfego, porque a sua principal função é o que diz o seu nome: evitar o pó. Também inibe o surgimento de lama. Uma razão comum para o uso do antipó é a falta de verba para a obra", explica.
De acordo com os técnicos da prefeitura, a durabilidade do antipó varia entre dois e três anos, enquanto o asfalto pode ter uma longevidade de até dez anos. Um controle mais rígido e a qualidade do concreto determinam o tempo de durabilidade mais longo do asfalto. "Ao contrário do antipó, é uma execução mais complexa, porque utiliza realmente o concreto. É mais comum em ruas de maior movimento e nas rodovias", acrescenta Luciana.



