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11º Distrito

Organização criminosa domina carceragem

Xadrez do 11º DP: situação de risco | Isabel Kugler Mendes/Divulgação
Xadrez do 11º DP: situação de risco (Foto: Isabel Kugler Mendes/Divulgação)

Uma vistoria de rotina da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) à carceragem do 11º Distrito Policial, na Cidade Industrial, em Curitiba, no mês passado, revelou que os mais de 150 presos da delegacia formaram uma organização criminosa. Não existem indícios de vinculação com quadrilhas de outros estados. Apesar de o distrito ter capacidade para 40 presos, na tarde de terça-feira 152 detidos estavam no xadrez.

No dia 10 de janeiro, os presos renderam um dos policiais de plantão com um estoque (arma branca improvisada com barra de ferro) quando a comida era entregue na carceragem e iniciaram uma rebelião. Para contê-los, os policiais atiraram contra os detentos. Um morreu. Outros três ficaram feridos. A carceragem foi destruída.

Desde então, as celas ficam abertas e os presos circulam livremente pela área. A OAB confirma que a situação está insalubre. Duas portas separam a carceragem da parte da delegacia onde os cidadãos prestam queixas e depoimentos. A Secretaria da Segurança Pública do Paraná desrespeita ordem judicial que determina o esvaziamento da carceragem desde o dia 16 de janeiro.

Normalmente, as visitas da comissão de Direitos Humanos da OAB-PR nas prisões das delegacias causam alvoroço entre os presos, que se aglomeram nas grades para relatar a situação precária em que estão. A presidente da comissão, Isabel Kugler Mendes, conta que estranhou quando os presos não vieram até a equipe de advogados na última visita à delegacia do CIC.

"Fomos recebidos por um homem vestido com camisa-polo de marca. Ele nos perguntou o que queríamos lá", lembra Isabel, que foi até a delegacia no dia 19. Este homem, conhecido como "Gringo", preso por tráfico de drogas, é uma espécie de mediador entre os presos e a delegacia. Quando a OAB fez a visita, todos estavam no fundo do setor carcerário, que tem forma de "T".

Após ter que explicar as razões da visita, os presos foram "liberados" pelo comando da prisão para falar com os advogados. Uma coisa ficou clara para a OAB: eles estão organizados.

A situação no 11º DP, segundo Isabel, chegou a um nível em que os policiais correm riscos. Apenas dois agentes por turno fazem a segurança dos presos. "No caso do 11º DP faltam direitos humanos não só aos detentos, mas também aos policiais", explica.

Autoridades

O delegado titular do 11º DP, Gerson Alves Machado, disse que apenas a Sesp pode se pronunciar sobre o caso. A secretaria afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que não faz comentários sobre organizações criminosas. Fontes vinculadas à secretaria afirmam que a culpa é da lentidão da Vara de Execuções Penais, que julga os crimes e autoriza as transferências ao setor penitenciário. A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça disse que só poderia emitir uma posição oficial do órgão na segunda-feira (13), em razão do recesso de Páscoa.

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