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Transporte coletivo

Os ônibus que sustentam o sistema

Alimentadores, que levam passageiros a terminais, são alvo de reclamação de usuários da Linha Verde

Passageiros dos alimentadores reclamam do tempo perdido ao esperar pelo ônibus | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Passageiros dos alimentadores reclamam do tempo perdido ao esperar pelo ônibus (Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo)
Confira algumas curiosidades sobre o transporte coletivo de Curitiba |

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Confira algumas curiosidades sobre o transporte coletivo de Curitiba

Veja como é composta a frota de ônibus de Curitba |

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Veja como é composta a frota de ônibus de Curitba

Eles pouco aparecem, mas são responsáveis pelo trabalho de formiguinha no transporte coletivo de Curitiba. Os ônibus alimentadores representam nada menos que 62% das linhas existentes na capital e 40% da frota de ônibus circulantes Na última semana, data de estreia do novo expresso Pinheirinho-Carlos Gomes, foram justamente os alimentadores que ganharam os holofotes – e não por bons motivos. Os usuários dos alimentadores da Linha Verde não gostaram nada de saber que o tempo ganho com o novo expresso era perdido em dobro à espera de um ônibus que os levassem até a Linha Verde, para tomar a nova opção de transporte.

A Urbs, empresa que administra o transporte coletivo de Curitiba, sinalizou que ajustes seriam suficientes para resolver a situação e para colocar os alimentadores nos eixos. A reportagem da Gazeta do Povo resolveu testar o sistema. Percorreu terminais, conversou com usuários, mediu intervalos de ônibus e concluiu: as reclamações em relação aos alimentadores da Linha Verde estendem-se também aos antigos alimentadores, ônibus que teoricamente já estão ajustados e funcionando perfeitamente.

Em um sistema de transporte coletivo, os alimentadores têm a função de trazer os usuários de seus bairros até os terminais. Nestes terminais, um veículo com mais capacidade, chamado de troncal, é responsável por levar os passageiros até o Centro. É assim também que os usuários conseguem se deslocar para outros pontos da cidade a partir dos terminais, pagando apenas uma passagem.

O presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Cléver Almeida, explica que até 1974 todas as praças do Centro de Curitiba funcionavam como terminais de ônibus. Não havia integração tarifária, apenas física. O usuário poderia saltar de um ônibus e logo ali já entrar em outro, bastava pagar mais uma passagem. O problema é que nos idos da década de 60 o trânsito de Curitiba começa a congestionar, e um dos motivos era a quantidade excessiva de ônibus que circulavam no miolo de Curitiba, já que praticamente todos eles iam até o Centro.

Em 1974, foi inaugurado o primeiro eixo de transporte. Logo, os primeiros expressos – Santa Cândida/Centro e Pinheirinho/Centro – entravam em operação. Junto com eles, veio uma revolução no sistema: para que o novo modelo de transporte funcionasse era necessária a criação de linhas que levassem os usuários até o grande eixo de transporte exclusivo. Assim surgiam os primeiros alimentadores. No norte, Olaria, Aliança e Tingui; no sul, Caximba e Umbará.

De lá para cá já se foram 35 anos, os eixos de transporte somam seis com a Linha Verde, há sete linhas expressas e nada menos que 215 linhas alimentadoras – incluindo as pioneiras, de 1974. E os especialistas em transporte coletivo são unânimes em afirmar que o modelo é essencial para que o trânsito de Curitiba não pare. "Imagine se tivéssemos todos os ônibus ainda indo até o Centro. Seria um caos", diz Almeida.

Mas, se o sistema é bom, por que há tanta reclamação? De acordo com o professor do Curso de Educação e Gestão de Trânsito e Transporte da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Paulo Fernando Silva Moraes, tudo é uma questão de tarifa praticada e dimensionamento da frota. A soma desses dois fatores vai dar o nível de serviço de determinado sistema de transporte. "Ou você encarece o transporte ou baixa o nível de serviço. Para manter a tarifa por cinco anos no mesmo valor houve redução do nível de serviço. Os custos subiram e a tarifa ficou defasada", explica Moraes. Para o ex-presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Luiz Cláudio Mehl, a palavra-chave é manutenção. "O sistema é interessante, mas exige cuidados e reparações. Há falhas no sistema que são corrigíveis", afirma.

Para o gestor de transporte coletivo da Urbs, Luiz Filla, a transformação de linhas convencionais em alimentadoras, a partir da entrada de novas linhas troncais, faz parte da evolução do transporte coletivo. "É o caminho natural", diz. Embora os ônibus troncais (como os expressos) sejam os mais importantes do sistema, segundo Filla, nada funciona sem os alimentadores. "O sistema precisa ser alimentado para funcionar", explica. No entanto, segundo ele, os alimentadores têm de ser dimensionados de acordo com a demanda. "Os alimentadores passam em intervalos maiores e menores de acordo com a demanda", explica. O critério de dimensionamento utilizado pela Urbs diz que a lotação máxima de um ônibus é igual ao número de passageiros sentados mais seis passageiros por metro quadrado. Esse limite pode até soar piada para quem está acostumado a andar espremido nos ônibus da capital, mas, segundo Filla, o número funciona como uma média que não deve ser ultrapassada em horário de pico. "Esse limite é considerado um excelente padrão em todo o mundo", diz.

Fora uns ajustes aqui e outros acolá, parece não haver melhor opção para o transporte mesmo. E, para quem sonha com o metrô como saída, um alerta: "o sistema de alimentação é inevitável. O metrô não vai levar da porta da tua casa até a porta do teu trabalho", diz Moraes.

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