
Em Almirante Tamandaré, município da região metropolitana de Curitiba, quem precisa de atendimento médico depois das 17 horas tem de se deslocar até outra cidade ou pagar pela consulta. O mesmo ocorre no fim de semana, quando o atendimento é interrompido nas dez unidades de saúde, que funcionam das 8 às 17 horas, de segunda a sexta-feira. Com o fechamento em dezembro da única unidade de saúde 24 horas e com a cobrança pelo atendimento no hospital da cidade, o Nossa Senhora da Conceição, a situação do município é apontada como a pior da região metropolitana e sem previsão de ser solucionada a curto prazo.
O fechamento provoca um efeito em cadeia, em que os postos de saúde sentem sobrecarga de atendimento e a população enfrenta filas. A secretária Eliete Nunes da Rosa pede para a irmã chegar à fila às 5 horas para garantir atendimento no posto que abre às 8 horas. Mais perto do horário, Eliete vai com o filho de 1 ano, que sofre de convulsões, para a fila para garantir o atendimento com o pediatra. "Quem chegou às 7 horas não acha mais consulta. É agendado para quatro, cinco dias depois. E se a pessoa está ruim?", questiona a secretária.
A origem do problema está no fechamento do hospital no dia 17 de dezembro, que gerenciava a unidade de saúde 24 horas. A prefeitura repassava por mês um valor para o hospital manter a unidade. Como a quantia aumentou de R$ 100 mil mensais, em 2007, para R$ 240 mil, em 2008, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apontou desvio de verba e prendeu três pessoas, que atualmente estão soltas. O repasse da prefeitura foi cortado e a unidade 24 horas parou de funcionar.
O município alega que o valor aumentou porque o hospital passou a fazer mais procedimentos do que o previsto. Eram 9 mil consultas por mês e mais 6 mil procedimentos. "Tínhamos um serviço preestabelecido, que vinha funcionando. Houve suspensão e ficamos descalçados. Nem médicos conseguimos contratar", afirma o secretário municipal da saúde, Luciano Bugalski. Ele aponta que o desafio da prefeitura é montar outra estrutura para o atendimento. As opções são o atendimento emergencial no próprio hospital ou a ampliação do horário de funcionamento da maior unidade de saúde da cidade, a Cachoeira. Para o secretário, nas outras áreas, como acompanhamento à gestante, fornecimento de medicamentos e saúde da família, houve avanços.
O presidente da Federação das Associação de Moradores de Almirante Tamandaré, Guilherme Dionísio Costa, diz que a população está revoltada e organiza uma manifestação, ainda sem data definida. Os moradores já fizeram um abaixo-assinado com mil assinaturas pedindo melhoria da situação. "Está na hora de mudar para melhor, para que venha a ser construído um atendimento municipal. O SUS (Sistema Único de Saúde) é direito do cidadão", reclama Costa.



