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Investigação

Padre Júlio depõe sobre caso de extorsão

Religioso contou à Justiça que jovens assaltaram sua casa três vezes no ano passado

São Paulo – O juiz da 31.ª Vara Criminal de São Paulo Júlio Caio Farto Sales ouviu pela primeira vez o padre Júlio Lancelotti na tarde de ontem. Por cerca de uma hora, o padre contou como era chantageado pelo ex-interno da antiga Febem Anderson Batista e por Conceição Eletério, esposa de Batista.

Lancelotti vinculou à extorsão três assaltos ocorridos em sua residência, no Belém – zona leste de São Paulo –, onde mora com a mãe de 84 anos. Os roubos ocorreram em julho, agosto e novembro do ano passado. No entanto, só o último caso foi comunicado à polícia. "Em um dos assaltos, o padre chegou a ser arrastado de dentro da casa até a sua garagem pelos bandidos", disse Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do padre. Greenhalgh afirmou que o religioso contou que o filho de Conceição, de oito anos, era usado pela mãe para pegar envelopes de dinheiro com ele na igreja. O advogado dos presos negou as acusaçõe fesitas por Lancelotti.

Do lado de fora do Fórum da Barra Funda, zona oeste, cerca de cem pessoas prestaram apoio ao padre. Dois policiais civis da 5.ª Delegacia Seccional Leste, que prenderam em flagrante um dos suspeitos recebendo dinheiro do religioso, no dia 6 de setembro, também falaram sobre o caso durante a audiência.

Na quinta-feira, o juiz indeferiu o pedido de revogação de prisão preventiva apresentado pela defesa dos quatro presos acusados de extorquir dinheiro de Lancelotti. O pedido de liberdade foi feito pelo advogado Nelson Bernardo da Costa. Para o advogado dos acusados, a extorsão não pode ser caracterizada nas gravações que o padre entregou à polícia.

Nos diálogos, o ex-interno da antiga Febem Anderson Batista, acusado de ameaçar o padre com falsa denúncia de pedofilia, e um comparsa, também preso, pedem dinheiro ao religioso. "Agora vou entrar com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça", disse Costa.

Mais um caso

Marcos Vinicius Barreto e um garoto de 14 anos foram presos em flagrante por extorquir o padre José Raimundo, da igreja do Conjunto Agamenon Magalhães, em Aracaju (SE). A prisão, divulgada ontem, aconteceu no município de Ribeirópolis, a 72 quilômetros da capital sergipana, depois que o padre denunciou à polícia que vinha recebendo ameaças há uma semana.

Os rapazes extorquiam o padre sob ameaças de tornar público um suposto envolvimento sexual entre os três.

A partir da denúncia de que estava sofrendo extorsão, José Raimundo recebeu a orientação da polícia de como deveria proceder. "O padre nos pediu ajuda. Foi quando passamos a monitorar a situação e armamos uma campana nos fundos do cemitério da cidade, local marcado para entregar a quantia exigida pelos garotos", explicou a delegada Gisele Martins. Quando o padre foi fazer o pagamento de R$ 2 mil, Marcos Vinicius e o menor foram flagrados.

Em conversas telefônicas, Marcos Vinicius teria dito que iria ocorrer com José Raimundo o mesmo problema que ocorrera com o padre Júlio Lancellotti. O padre José Raimundo foi orientado pela assessoria jurídica da Cúria Metropolitana a não se manifestar sobre o assunto. O advogado da Cúria, Charles Porto Prado, declarou, no entanto, que o padre "nega peremptoriamente as acusações" e afirma ter sido vítima de extorsão.

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