São Paulo Pilotos de jatos que estavam no Campo de Marte, em São Paulo, no último domingo e profissionais da aviação executiva suspeitam que o Learjet usado por Paulo Roberto Montezuma Firmino que caiu sobre quatro casas no bairro da Casa Verde, tenha sofrido uma pane no "pitch trim", que comanda o profundor do avião. O profundor é o mecanismo que controla a subida e a descida do avião. Uma autoridade da Aeronáutica que acompanha as investigações do acidente confirmou que esta pane explicaria porque o piloto não seguiu a orientação da torre de comando e, em vez de fazer a curva para a esquerda, virou a aeronave para a direita.
"A pane do profundor obrigaria o piloto a fazer a curva para a direita, mas a causa do acidente só será esclarecida com a abertura do CVR (a caixa-preta do jato, que grava a voz do piloto)", disse o militar da FAB, que investiga as causas do acidente.
Pilotos e militares ouvidos pela reportagem descartaram que o problema do Learjet da Reali Táxi Aéreo tenha sido a falência de um dos motores. De acordo com o pilotos, o jato pode operar com apenas um motor, sem prejuízo de vôo.
"De fato, é quase imperceptível a perda de um motor. E uma pane nos dois motores é ainda muito mais remota", afirmou um piloto da Gol, que preferiu não se identificar.
Um piloto de aviação executiva do Paraná lembrou um caso semelhante ocorrido há dez anos em Curitiba, quando um piloto de Learjet teve problemas com "disparo de trim".
"O piloto tem seis segundos para identificar o problema de "pitch trim". Quando há a falha do profundor, ele coloca o avião numa atitude de mergulho, que é como todas as testemunhas relatam o que viram: o jato com o nariz para baixo."
Outro piloto ouvido pela reportagem, que também pediu para ter seu nome preservado, afirmou que, nessas condições, o avião torna-se muito pesado, o que faz o piloto agarrar-se ao manche e até usar os joelhos para fazer força contra o painel e tentar forçar a aeronave a subir. O piloto narrou o caso de um brasileiro que conseguiu sobreviver de um caso assim, em um Learjet, há dois anos, nos Estados Unidos.
De acordo com relatos do Corpo de Bombeiros, o piloto Firmino foi encontrado agarrado ao manche com as pernas encolhidas:
"Imaginamos que ele tenha segurado o manche até o fim", disse o tenente dos bombeiros Armando Luiz Pagoto Filho, que comandou uma equipe de resgate.
A FAB também avaliou que é pouco provável que estivesse vazando combustível da asa do jatinho da Reali Táxi Aéreo, conforme disse uma testemunha à Polícia Civil ontem. A possibilidade mais avaliada é que a testemunha tenha visto vapor dágua, já que ainda chovia um pouco na área por onde passava o avião.
Ontem, partes do jato e documentos encontrados entre os escombros foram levados ao Aeroporto de Guarulhos, onde fica a área militar da Aeronáutica e está instalada a equipe formada pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) para apurar as causas do acidente. Além da caixa-preta e de peças do avião, estão sendo analisados laudos periciais e documentos como o resultado da última revisão da aeronave, feita no dia 24 de outubro na oficina ABC de Uberlândia, interior de Minas Gerais. O Cenipa diz que um laudo sobre o desastre só deve sair dentro de 90 dias.



