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Papa bento XVI

Papa critica capitalismo e marxismo

Bento XVI condenou, durante a abertura da 5.ª Celam, o machismo presente na sociedade latino-americana

Um Papa sorridente surpreendeu e agradou os fiéis brasileiros. | Rodolfo BUuhrer/Gazeta do Povo
Um Papa sorridente surpreendeu e agradou os fiéis brasileiros. (Foto: Rodolfo BUuhrer/Gazeta do Povo)

Aparecida – No discurso feito ontem na abertura da 5.ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (Celam), em Aparecida, o Papa Bento XVI condenou o machismo presente na sociedade latino-americana. "Em algumas famílias da América Latina persiste ainda a desgraça de uma mentalidade machista, ignorando as condições do cristianismo que reconhece e proclama a igual dignidade e responsabilidade da mulher e do homem."

O sumo pontífice acrescentou que o papel da mãe na família é essencial para a educação e criação dos filhos. "A família é insubstituível para a serenidade pessoal e para a educação dos filhos. As mães que querem dedicar-se plenamente à educação dos seus filhos e ao serviço da família devem gozar de condições necessárias para poder fazê-lo e, para isto, têm o direito de contar com o o apoio do seu Estado. O papel das mães é fundamental para o futuro da sociedade."

O Papa também criticou ontem o capitalismo e o marxismo. Segundo Bento XVI, tanto o capitalismo quanto o marxismo fracassaram na tentativa de reduzir a desigualdade social dos povos. "Tanto o capitalismo como o marxismo prometeram encontrar um caminho para a criação de estruturas justas e afirmaram que elas, uma vez estabelecidas, funcionariam por si mesmas. Essa promessa ideológica tem se mostrado falsa", disse ele.

Para o Papa, o marxismo e o capitalismo afastaram as pessoas dos valores da Igreja Católica. "O sistema marxista, onde foi implantado, não só deixou uma triste herança de destruições econômicas e ecológicas mas também uma dolorosa destruição de espírito. E o mesmo também ocorreu no ocidente, onde cresce constantemente a diferença entre os pobres e ricos e onde se produz uma inquietante degradação da dignidade da pessoa com a droga, com o álcool e sutis miragens de felicidade", afirmou.

O Papa responsabilizou ainda os governos da América Latina e Caribe pela desigualdade social da região. "Os problemas da América Latina e do Caribe, assim como do mundo de hoje, são múltiplos e complexos, e não podem ser enfrentados com programas gerais. A questão fundamental sobre o modo como a Igreja, iluminada pela fé em Cristo, deve reagir diante destes desafios, diz respeito a todos nós. Neste contexto é inevitável falar do problema das estruturas, sobretudo das que criam injustiça. Na realidade, as estruturas justas são uma condição sem a qual não é possível uma ordem justa na sociedade", afirmou ele.

Estado laico

Bento XVI disse que o trabalho político não é competência da Igreja. Ao mesmo tempo, afirmou que o respeito à laicidade do Estado com a pluralidade das posições políticas é essencial para a tradição cristã.

"Se a Igreja começar a transformar-se em sujeito político, não faria mais pelos pobres e pela justiça. Sinto que faria menos porque perderia sua independência e sua autoridade moral identificando-se com uma única via política e com posições parciais", disse.

Segundo ele, a Igreja é "advogada dos pobres". "Principalmente no mundo de hoje, onde o fenômeno da globalização afeta as relações em nível mundial".

O Papa defendeu que também a globalização se guie por princípios éticos. "Como em todos os campos da atividade humana, a globalização também deve se reger pela ética, colocando-se a serviço da pessoa humana".

Governos autoritários

Em seu discurso, o Papa sinalizou preocupação com governos autoritários da América Latina e Caribe. "(Nessa região), como em outras regiões, se chegou à democracia ainda que exista preocupação com formas autoritárias de governo ou sujeitas a certas ideologias que se acreditavam superadas e que não correspondem com a visão cristã do homem e da sociedade".

Por outro lado, ele também atacou a forma como os países da região seguiram a receita neoliberal em suas economias. "A economia neoliberal de alguns países latino-americanos têm que levar em consideração a igualdade social, pois continua aumentando a pobreza. Setores sociais seguem confrontados com uma enorme pobreza ou mesmo expolido de seus recursos materiais necessários", afirma o Papa.

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