
Por um aplicativo de celular, Leandro Pilch, de 24 anos, fica sabendo que um avião cargueiro da Avianca, prefixo N332QT, se aproxima de Londrina, Norte do Paraná. Dali a mais 20 minutos, calcula ele, a aeronave de grande porte estará pousando em Curitiba, onde Leandro e mais dois amigos pretendem fotografá-los. Eles fazem parte do TMA Curitiba, um grupo dedicado ao spotting literalmente, "observação", um hobby com adeptos em todo o mundo. Eles costumam possuir milhares de fotos diferentes de aeronaves, sendo "diferente" um conceito relativo. Às vezes, muda-se apenas a pintura, o prefixo, a matrícula ou a posição de pouso em relação ao sol. Porém, quem está há mais tempo no hobby começa a ficar seletivo, por isso o interesse especial no cargueiro.
O grupo conta com cerca de 30 membros ativos, que costumam se encontrar nas cercanias do Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais. No site do grupo há um mapa que identifica os principais pontos de observação. Para registrar os aviões efetuando o 180º após o backtrack, por exemplo, convém esperar por eles na Avenida Rui Barbosa, próximo à esquina com a Rua David Campista. "Conseguimos informações de tráfego com os funcionários das companhias, com quem estabelecemos contato", revela Leandro, empregado da Infraero em um dos terminais de carga e estudante de pilotagem.
Seu colega Guido Ferneda, de 21 anos, também aspira estar do outro lado do vidro ou alambrado. Fotografar aviões é uma forma de lazer quando não está aprendendo a pilotá-los. "Para os mais velhos, o spotting é uma válvula de escape. As pessoas gostariam de ter pilotado, mas acabaram seguindo outra carreira", diz. O trio se completa com Lucas Gabardo, 19 anos, estudante de Engenharia Civil. É o especialista em aviação executiva do grupo. Vizinho do aeroporto do Bacacheri, é habitué dos hangares privados. "Os próprios pilotos nos avisam quando estão chegando. Eles acabam se enxergando em nós."
Caçada
Quando o cargueiro da Avianca desce a 9,5 mil pés de altura, eles têm certeza que pousará no Afonso Pena. Há sempre um risco, por causa do clima da cidade. Por causa dele, Leandro iniciou uma caçada de dois anos a um cargueiro da Emirates. Por causa do mau tempo, a aeronave desceu em Campinas (SP) e voltou para Dubai, nos Emirados Árabes, sem dar o ar da graça em Curitiba. Várias vezes retornou ao Brasil, mas sempre sem escala em CWB. Até que certa noite o pouso foi confirmado. O spotter pegou, correu rumo ao aeroporto, estacionou numa rua próxima, subiu no capô e conseguiu fotografá-lo.
O Avianca Cargo pousa, obrigando os spotters a interromper a conversa e sacar as câmeras. Suas mochilas comportam desde rádio para ouvir a frequência do controle de voo até removedor de manchas para limpar o vidro do andar panorâmico. Assim como o próprio aeroporto, que passa por reformas, eles também se preparam para a Copa do Mundo. "Tomara que Curitiba seja beneficiada no sorteio, e delegações com aviões legais venham jogar aqui", torce Leandro.



