Rio O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, admitiu ontem que, se comprovado o envolvimento direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no episódio do dossiê Vedoin, ele poderá ter a candidatura impugnada, mesmo após uma eventual vitória na eleição. "Há um instrumental na Constituição, a ação de impugnação ao mandato alcançado, que alcança qualquer cidadão que detenha um mandato, pouco importando que seja o presidente da República", disse o ministro, pouco antes de uma sessão comemorativa do Supremo Tribunal Federal (STF) em sua antiga sede no Rio.
Marco Aurélio reconheceu também a gravidade da eventual participação de algum assessor presidencial. "Aí se fixa um elo muito forte e isso é ruim, é ruim em termos institucionais."
Apesar das declarações, Marco Aurélio pregou cautela. "Não podemos presumir o envolvimento pelo objeto em si do dossiê; não podemos partir nesse campo de presunções. Precisamos ter dados concretos. Vamos esperar."
Antes da solenidade, o ministro recebeu dos presidentes do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), cópia da representação ajuizada de manhã pedindo investigação do caso pelo TSE. Ambos defenderam que a corte assumisse a investigação criminal e alegaram que a PF não tem condições de investigar com independência, por ser controlada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.



