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Entrevista

Para não esquecer da tragédia de Hiroshima

Takashi Morita e Junko Watanabe, sobreviventes do ataque nuclear em Hiroshima, Japão, em 1945

Junko Watanabe e Takashi Morita rodam o mundo para falar sobre os horrores da bomba atômica | Angel Salgado
Junko Watanabe e Takashi Morita rodam o mundo para falar sobre os horrores da bomba atômica (Foto: Angel Salgado)

A lembrança do dia 6 de agosto de 1945 ainda segue viva na memória dos japoneses Takashi Morita e Junko Watanabe, sobreviventes dos ataques nucleares em Hiroshima durante a Segunda Guerra Mundial. Com mais de sete décadas de vida, os dois estão percorrendo cidades brasileiras para relatar a tragédia que vitimou mais de 350 mil japoneses na época. A ação é uma estratégia da rede de solidariedade Prefeitos pela Paz, que busca construir acordos com os chefes municipais a fim de que se comprometam a apoiar o desarmamento nuclear no mundo. Em uma entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, a senhora Watanabe e o senhor Morita descreveram em detalhes os acontecimentos antes e depois da explosão da bomba atômica.

Gazeta do Povo: Qual é a lembrança dos momentos que antecederam o ataque?

Junko Watanabe: O dia estava lindo, com céu bem azul e poucas nuvens. Eu estava a 18 quilômetros do local da explosão. Meu irmão brincava na frente de casa e havia muitas pessoas nas ruas porque não tinha tocado nenhuma sirene avisando que devíamos ir para os abrigos. A vida estava normal, apesar de vivenciarmos a guerra. Mas, por um instante, tudo mudou. Lembro que minha mãe pegou a mim e a meu irmão porque, de repente, começou a cair uma chuva preta, além de muitas cinzas e papel queimado. Após isso, desfaleci e, quando acordei, vi centenas de pessoas mortas por todos os lados, sem entender nada e nem por que estávamos vivos se havia mortos por todos os lados.

Como foram os dias seguintes?

Watanabe: Meu organismo rejeitava todo tipo de alimento e não tínhamos o que beber. Tudo ao redor não mais existia (pausa e lágrimas). Amigos nossos desapareceram e tudo estava contaminado com a radiação. Os médicos faziam o que podiam, mas eles sabiam que não podiam fazer mais nada a não ser esperar que muitos dos seus pacientes morressem.

Relembrar o que ocorreu ajuda a confortar o coração?

Takashi Morita: Ajuda a termos a certeza de que estamos lutando para que aquilo que vimos não volte a acontecer. Queremos que todos saibam que muitas pessoas inocentes foram para o céu sem saber os motivos pelos quais fizeram aquilo com nosso povo. Por isso, agora buscamos assinaturas dos prefeitos de cidades pelo mundo que se comprometam com a paz e com a vida.

Existe algum tipo de medo para quem sobreviveu a explosão da bomba atômica?

Morita: Sim. Existem mais de 20 mil bombas nucleares prontinhas pelo mundo. Dez mil só nos Estados Unidos. Ninguém faria tantas bombas se não pensasse em usá-las um dia.

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