O estudante Pedro, de 17 anos, que vende entorpecentes dentro de uma escola pública no Barreirinha, consegue a droga com um amigo de Almirante Tamandaré. "Ah, quando eu preciso ligo lá para ele para ver se ele tem alguma coisa. Aí ele me entrega", diz.
A inspetora da escola municipal conta que os alunos costumam guardar a droga entre a bateria do celular e a capinha. Eles trocam mensagens entre si durante a aula e combinam de ir fumar ou cheirar no banheiro. "Esses dias eu peguei um bilhete que um passou para o outro que dizia assim: O que você achou da sensação de estar drogado dentro da sala de aula? Dá para escutar de longe o barulho do giz escrevendo no quadro."
O consumo começa lá fora, na pracinha que fica ao lado da escola. Os alunos entram chapados para assistir as aulas. A pedagoga diz que também é comum os alunos usarem o que eles chamam de moranguinho, que é uma mistura de éter com suco de morango, usada para dar a sensação de euforia e alegria. "Eles espirram isso na manga da blusa do uniforme e ficam cheirando durante a aula. Algumas professoras percebem, mas elas não têm muito o que fazer". A diretora, que ocupa o cargo há mais de seis anos, explica que sempre que descobrem um caso grave os pais são chamados, mas que durante todo o tempo em que está na direção, apenas dois compareceram.
Na Escola Estadual Maria Montessori, o moranguinho é inalado com freqüência pelos alunos. Marcos, 18 anos, que estudou lá por dois anos, conta ele era muito usado pelos colegas, assim como a maconha. "O pessoal fuma direto lá, no pátio ou no banheiro."
O uso das drogas está associado à violência. Marcos conseguia impor respeito diante de seus colegas. Todos o obedeciam e ele fazia sucesso com as meninas. Até impor disciplina e ordem dentro da sala ele conseguia, tarefa que muitas vezes os professores não davam conta. "O pessoal tinha medo de mim porque eu já tinha mandado um aluno para o hospital na outra escola que eu estudava. Foi por isso que fui expulso de lá", conta.
Marcos diz que quando as professoras desconfiavam que ele estava com alguma droga, chamavam a Patrulha Escolar e o levavam para a sala delas. "Eles me revistavam e até tapa na orelha eu ganhava para contar se tinha alguma coisa." Esse ano ele deveria estar na 8ª série, mas a escola o matriculou no Ensino para Jovens e Adultos (EJA), no período da noite. "Eu não queria fazer tudo outra vez e nem fui mais para a aula. Vou ver se agora pago uma escola para terminar tudo em meio ano", comenta. (AS)



