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Adoção

Para sempre, “anjos” da Tamires

Histórias que começam nos bastidores do coral do Palácio Avenida vão além das apresentações e podem virar adoção ou apadrinhamento

Os anjos Tadeu e Cristiane conheceram Tamires (que segura o bebê) no coral do Palácio Avenida. Para a adoção foi um pulo | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Os anjos Tadeu e Cristiane conheceram Tamires (que segura o bebê) no coral do Palácio Avenida. Para a adoção foi um pulo (Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)

Há muito mais que cantoria e dança nos espetáculos de Natal do Palácio Avenida. As janelas que brilham um pouco antes do Natal também servem como apadrinhamento social ou como uma chance de adoção para as crianças e adolescentes que estão abrigados. É porque entre ensaios e apresentações, o contato do coralista com a pessoa responsável por cuidar dele durante o espetáculo, os chamados anjos, se torna tão forte que, mesmo depois que as janelas se fecham, a amizade entre ambos continua, podendo se tornar um vínculo familiar.

Os dados de 2012 já apontam para uma possível comemoração. Pelo menos um dos casos de adoção deste ano virá das apresentações do Palácio Avenida: nesta semana, um casal de anjos passou pela entrevista com a assistente social e agora aguarda apenas a assinatura do termo de adoção permanente de Tamires Amanda de Oliveira, 12 anos, ex-coralista do HSBC, que chegou a ir para a lista de adoção internacional. A idade dos coralistas costuma ser entre 7 e 13 anos, uma faixa etária em que a adoção costuma ser mais difícil.

Os anjos em questão, que não se importaram com a idade da criança, são Tadeu Moraes Freire, 32 anos, e sua esposa Cristiane Freire, 31. Técnico de recursos humanos do banco HSBC, Tadeu foi chamado para ser anjo em 2007 e convidou sua esposa, na época grávida da primeira filha do casal, Maria Eduarda. Em 2010, durante um dos treinamentos, Cristiane conheceu Tamires, então com 11 anos, e ficou encantada. "Ela queria adotar a Tamires de qualquer jeito e não falava em outra coisa", conta Tadeu.

Durante a integração entre anjos e crianças, o bancário foi apresentado à coralista que ficaria sob sua responsabilidade. Foi como se ouvisse sinos: era a Tamires. "Ela parecia que sabia que algo grande iria acontecer. Fiquei apaixonado pela menina, mas não podíamos falar em adoção com ela durante o período das apresentações. É uma das regras da organização."

O casal, então, esperou acabar os espetáculos e, no dia 5 de janeiro do ano passado, foram à instituição onde Tamires morava para saber mais sobre a adoção. "Conversamos com as psicólogas do abrigo e, nesse momento, pensei em desistir. Eram muitos os riscos, ela podia não se adaptar. Mas resolvemos tentar mesmo assim", diz Tadeu.

Com o processo de adoção aberto, Tamires começou a passar os finais de semana com a família Freire. Na despedida, era uma choradeira só. Em julho do ano passado, veio a notícia de que Tadeu e Cristiane ganharam a guarda provisória dela. Foi quando a jovem mudou para a casa dos Freire. "Era uma sexta-feira e, na segunda, minha esposa descobriu que estava grávida novamente. Foi uma alegria dupla", diz o bancário.

Hoje Tamires frequenta outro colégio e está bem adaptada à família e ao novo ambiente escolar. Como uma pré-adolescente típica, gosta de dançar e adora o cantor teen Justin Bieber. "Foi uma escolha dela também vir para a nossa família", comenta Tadeu.

Ministério Público

A atuação das crianças no coral do Palácio Avenida é alvo de investigação do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho e Emprego. Os promotores, após acompanharem os treinamentos, questionam os supostos casos de exploração de trabalho infantil, porque as crianças precisam cumprir uma jornada de ensaios.

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