
São Paulo A sexta-feira estava só começando quando devotos do Frei Galvão de Piraí do Sul (PR) já ocupavam seu lugar na fila para entrar no Campo de Marte, em São Paulo. Eles iriam acompanhar a missa de canonização do primeiro santo brasileiro. O grupo de 45 pessoas saiu da sua cidade às 17 horas de quinta-feira e chegou ao destino por volta de meia-noite e meia. Na bagagem, cobertores e alimentos para passar a noite, apesar do frio.
A cidade, que fica a 192 quilômetros de Curitiba, tem um motivo especial para tanta devoção. Em 1808, Frei Galvão passou por lá e deixou uma estampa de Nossa Senhora das Brotas. Quem recebeu foi uma viúva chamada Ana Rosa de Paula. Mais tarde, ela se casou novamente e na mudança para a casa nova perdeu a imagem. Encontrou o presente num terreno perto de sua casa que havia sido atingido por um incêndio, mas a estampa ficou preservada. O fato foi interpretado como um milagre e aí começou a devoção pela santa e também por Frei Galvão.
Hoje, no Santuário de Nossa Senhora das Brotas está uma cópia da estampa dada a Ana Rosa de Paula e uma imagem de Frei Galvão. O vigário Loir Antônio de Oliveira conta que com a canonização do santo brasileiro pelo menos uma comunidade na cidade já está preparando a construção de uma capela que terá Frei Galvão como padroeiro.
"Santo Padre"
Os fiéis que acompanharam a missa de canonização tinham muitas histórias de graças recebidas do santo. A dona de casa Maria Floriza Mainardes Hargatin e seu marido, Pedro, contam com alegria o que consideram ser um milagre.
Segundo Maria, em 1999, seu filho Silvano, na época com 12 anos de idade, voltou da escola muito doente. Quando estavam levando o menino para o hospital, ele parou de respirar, segundo a mãe. Ela disse que na hora falou "Santo Padre Galvão" e imediatamente a criança voltou a respirar. No hospital, o diagnóstico foi de diabete. Maria decidiu dar ao menino as pílulas de Frei Galvão e desde então a doença nunca mais foi diagnosticada no jovem, que agora está com 20 anos. "Eu só tenho a agradecer. É muita alegria", afirmou.
Fé em família
A médica Geórgia Maria Miguel, ao contrário da maioria dos seus colegas de trabalho, não tem dificuldade alguma em aceitar a idéia de que milagres acontecem. "Eu até oriento meus pacientes a ter fé", disse. E toda essa convicção tem motivos. Pelo menos dois. Ela contou que sua afilhada e seu pai receberam milagres de Frei Galvão.
Segundo ela, a afilhada, aos 3 anos de idade, sofreu um acidente de trânsito na estrada e foi jogada para fora do veículo em que viajava. Logo em seguida, ela apareceu andando no asfalto, sem nenhum ferimento. De acordo com Geórgia, ela disse ao avô que "caiu no mato, mas que o padre colocou um papelão nas suas costas". A criança foi levada ao hospital, segundo a médica, mas depois de feitos todos os exames e de a menina ter ficado dois dias em observação, nada foi constatado.
E há cinco anos, a família recebeu mais uma graça. O pai de Geórgia, Jorge Elizário Miguel, que também é médico, foi operado a partir de um diagnóstico de câncer de próstata. A doença foi detectada nos exames pré-operatórios e as chances de se tratar de um tumor maligno eram de 99%. Antes da cirurgia, a família recorreu às pílulas do Frei Galvão, fez a novena e depois da operação os médicos deram a boa notícia: não era um tumor maligno. Hoje, aos 72 anos, ele continua cuidando dos seus pacientes em Piraí do Sul e em Castro.



