
Brasília Não há mulheres paranaenses na Câmara dos Deputados, muito menos no Senado. Após 153 anos de emancipação, o Paraná nunca elegeu uma senadora. Teve apenas duas deputadas federais, Clair da Flora Martins e Selma Schons, na última legislatura. Historicamente, apenas a Paraíba teve menos representatividade feminina nas duas Casas.
O Paraná tem 30 vagas na Câmara e a sexta maior bancada entre os 26 estados e o Distrito Federal. Somando-se os três senadores a que cada unidade da federação tem direito a eleger, apenas Alagoas, Distrito Federal, Paraíba e Piauí também não têm mulheres atualmente no Congresso. A diferença é que essas unidades possuem juntas apenas 38 cadeiras na Câmara. As explicações para o "machismo" no voto paranaense são complexas. "Dizer que isso se deve apenas ao conservadorismo da nossa política é muito cômodo", diz a professora do mestrado em Gestão Urbana e Social da PUCPR, Samira Kauchakje. Para ela, parte das respostas está na geografia do estado e no fato de que a disputa eleitoral ainda não está entre as prioridades da mulher média paranaense. "Vivemos em um estado grande, mas no qual 80% das cidades são pequenas. Nelas, a visão que os homens têm das mulheres, e que as próprias mulheres têm de si mesmas, é muito restrita", diz. Por outro lado, ela ressalta que nas metrópoles como Curitiba e Londrina a representação feminina domina os movimentos sociais. "Elas são maioria nas associações de bairro e nas ONGs", aponta.
A nulidade da representação feminina do Paraná no Congresso é gritante, mas no geral há poucas senadoras e deputadas. Na Câmara, são apenas 45 mulheres (duas licenciadas) para 513 vagas. No Senado, elas são 10 para 81 cadeiras.
E, ao passar pelo vestibular do voto, poucas conseguem se destacar. A senadora catarinense Ideli Salvatti foi uma das poucas que se dispuseram a romper a barreira que mantém as mulheres no baixo clero do Congresso. Ela é a líder do PT no Senado e conseguiu se transformar em conselheira pessoal do presidente Lula.
"Aqui as mulheres têm de se manter fazendo coisas ótimas para que se diga que estão em um nível mais ou menos. É uma luta diária", resume Ideli. Para a senadora, a baixa representatividade feminina reflete o que pensa o povo brasileiro. "Estamos falando de uma cultura de muito tempo, que permanece e não vai desaparecer de uma hora para outra."
Já na Câmara, que deveria representar a proporcionalidade do povo brasileiro, elas têm ainda menos poder. Na semana passada, por exemplo, o principal fato envolvendo uma deputada foi o bate-boca entre Cida Diogo (PT-RJ) e Clodovil Hernandez (PTC-SP). Ela chorou ao ser chamada de "feia" pelo colega, o que interrompeu a sessão por 20 minutos.



