A demora para que sejam tomadas providências para conter o crescimento da população de rua em Paranaguá, no litoral do estado, pode agravar a situação. Por enquanto, não começou o levantamento do número de mendigos que chegaram à cidade recentemente condição para que seja iniciado o processo de retorno aos municípios de origem. O Ministério Público fixou até 29 de janeiro o prazo para avaliar o andamento da ação. "Existe este prazo para que a Secretaria de Ação Social apresente algo concreto, porém, até que isso ocorra, mais mendigos devem chegar à cidade", reclama o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap), Alceu Claro Chaves.
O crescimento do número de moradores de rua está sendo observado no município nas últimas semanas. Eles seriam procedentes de vários municípios do estado e, em princípio, teriam sido deixados no local pelas próprias prefeituras. Em abril, a Gazeta do Povo publicou reportagem em que denunciava o contrário: moradores de rua de Paranaguá estavam sendo recolhidos e deixados em Curitiba ou nas estradas.
Na última semana, uma comissão se reuniu para discutir uma solução para o problema. Pela proposta acertada, caberia à Secretaria de Ação Social levantar informações sobre os custos do trabalho, o que ainda não ocorreu. Com isso, a Aciap também não teve condições de dar início à campanha de arrecadação de fundos. Segundo o secretário municipal de Ação Social, João Damásio, a comissão responsável ainda não se reuniu para discutir o assunto.
Enquanto a resolução do problema esbarra em questões burocráticas, a situação fica tensa na cidade. A dona de casa Amélia Ribeiro reclama que comprou um sorvete para a filha, no centro da cidade, e que a menina nem teve tempo para experimentá-lo.
"Três mendigos passaram do nosso lado, pegaram o sorvete e ainda nos xingaram."Ao redor da Catedral de Nossa Senhora do Rosário, um grupo de doze moradores de rua tem se reunido. Segundo fiéis, eles entram na igreja, espantam quem quer acompanhar as missas e ainda fazem suas necessidades no chão e até dentro do confessionário.



