
A Pastoral da Criança organização não-governamental que se dedica ao bem-estar infantil comemora hoje 25 anos com uma marca que o poder público não consegue alcançar. O de ter um índice 47,2% menor de mortalidade infantil nas áreas onde atua do que em relação ao restante do país. Enquanto a mortalidade das crianças atendidas pelos voluntários da Pastoral fica em 11 mortes por mil crianças, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou em 2006 a média de 21,2 mortes por mil no restante do Brasil.
Do primeiro núcleo, na cidade de Florestópolis, na região de Londrina, há 25 anos, a ação da Pastoral se estendeu por todo o Brasil e mais 17 países subdesenvolvidos. Só no Brasil, 1,8 milhão de crianças e 94 mil gestantes são acompanhadas pelos voluntários da Pastoral da Criança, que combatem a desnutrição levando informações à comunidade, que vão desde o valor nutricional dos alimentos até a importância do aleitamento materno.
Segundo a fundadora da ONG, a médica sanitarista Zilda Arns, sem a dedicação dos voluntários (que hoje chegam a 261.962 pessoas, 141.869 líderes comunitários sendo 92% mulheres) a instituição não chegaria a essas marcas. "O trabalho voluntário das líderes comunitárias, que são pessoas simples, é fundamental. É a presença de uma pessoa amiga espalhando solidariedade às famílias da própria comunidade que faz a diferença", ressalta Zilda.
Multimistura
O principal argumento na conscientização das comunidades carentes na importância do alimento produtivo está no fato de que medidas simples podem fazer diferença. Como na produção da multimistura um farelo rico em nutrientes produzido a partir e alimentos regionais, de fácil acesso à população carente. "Com essa medida simples, conseguimos salvar 5 mil crianças por ano", enfatiza Zilda Arns.
Como resultado, hoje apenas 3,1% das crianças atendidas pela Pastoral sofrem de desnutrição. Quando a ONG começou suas atividades, há 25 anos, o índice era de 50%.



