
A promessa de implantar a patrulha rural em regiões agrícolas com problemas de segurança, feita pelo governo do Paraná em junho de 2007, ainda não saiu do papel e não tem data para virar realidade na região metropolitana de Curitiba (RMC). Segundo representantes de Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) da RMC, a ocorrência de arrombamentos, assaltos e chácaras invadidas é comum nas regiões rurais dos municípios. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) na última segunda-feira, mas não obteve informações a respeito de quantos municípios da RMC já contam com a patrulha depois que o projeto piloto foi lançado, em 2007, em São José dos Pinhais.
Enquanto o projeto não sai do papel, as quadrilhas de assaltantes seguem invadindo casas e chácaras na RMC. Uma das regiões mais visadas é a do Poço Negro, em Colombo. Segundo moradores da região, ocorrências são registradas todos os meses. "Fui assaltada dentro da minha casa há uns dois meses. Eles rendem os moradores, entram armados e ameaçam", diz uma dona de casa que prefere não ser identificada. "No mês passado assaltaram meu sobrinho, na mesma rua. Colocaram uma faca no pescoço dele e entraram em casa." A comunidade chegou a fazer um abaixo-assinado para pedir mais segurança. "Chamar a polícia não adianta. A primeira coisa que eles (os assaltantes) fazem é cortar o fio do telefone", revela outro morador. "Já levaram uma caminhonete minha. Tem épocas em que dá cinco ou seis assaltos em 15 dias."
Outras zonas agrícolas problemáticas em Colombo são Bacaetava, Fervida e São João. "Era para o município ter uma patrulha, mas não estamos sendo atendidos", afirma o secretário de Agricultura de Colombo, Pedro Cavalli. "Temos vários relatos de assaltos à mão armada, com sequestro de pessoas." Sem uma patrulha específica para a zona rural, os moradores têm de contar com os policiais militares que ficam no centro da cidade. Como são apenas duas viaturas no município, o atendimento fica prejudicado.
Menos crimes
Em São José dos Pinhais, a presença da patrulha rural ajudou a reduzir o número de ocorrências na localidade de Roça Velha. "Uma viatura ainda é insuficiente, mas deu resultado. Houve diminuição no número de arrombamentos", comenta Jaiderson Rivarola, membro do Conseg do município. "Mas sempre surgem novas gangues, porque a polícia prende um líder de quadrilha e vem outro." A Guarda Municipal ajuda no patrulhamento. "Os moradores gostam, porque os policiais e os guardas municipais conversam para saber quais os principais problemas."
Se em São José dos Pinhais a atuação da patrulha ajudou a reduzir os índices de criminalidade, a realidade em outros municípios é diferente. "Onde o pessoal tem chácara estão roubando", diz Reginaldo Ulbricht, presidente do Conseg de Campo Magro. "Não temos nenhuma expectativa de contar com a patrulha rural." De acordo com Ulbricht, o município ainda sofre com os baixos efetivos da Polícia Militar e da Polícia Civil. "Tem uma viatura da PM para o município inteiro. E a delegacia não tem delegado." Quem atende Campo Magro é o delegado de Almirante Tamandaré.
O presidente do Conseg de Pinhais e da União Paranaense dos Conselhos Comunitários de Segurança (Uniconseg), Sérgio Skiba, lembra que, com a falta da patrulha rural, os policiais têm dificuldades de acesso a determinadas localidades. "Não temos patrulha, e hoje a polícia não tem como entrar em alguns lugares, porque não tem carro adequado."



