Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Segurança

PCE vai passar por reforma

Governo não informou onde serão colocados os 1,5 mil detentos durante as obras, que começam em 2009

Penitenciária, que já foi uma das melhores da América Latina, está em condições precárias | Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo
Penitenciária, que já foi uma das melhores da América Latina, está em condições precárias (Foto: Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo)

A terceira prisão mais antiga do estado, a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, será reconstruída a partir do ano que vem. O governo estadual já autorizou a contratação de uma empresa de arquitetura que vai elaborar projetos complementares para reconstruir 28 galerias na área onde ficam cerca de 1,5 mil presos. O projeto vai custar R$ 154 mil. O valor da obra não foi divulgado. Por enquanto, não há informação de onde serão colocados os 1,5 mil detentos durante a realização das obras.

A reconstrução vai mudar a cara da penitenciária que foi palco de rebeliões históricas no estado. Uma delas orquestrada pela facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), com seus generais da velha guarda, como José Márcio Felício, o Geléia. O motim de 2001 acabou com quatro mortos – um agente penitenciário e três detentos decapitados –, e muita destruição.

"A PCE foi inaugurada em 1954. Era uma das melhores penitenciárias da América Latina, com capacidade para 522 detentos. A construção do prédio demorou dez anos", lembra o sociólogo Alcione Prá. Ele pesquisa a história dos presídios paranaenses há mais de 20 anos. O seu objetivo é publicar um livro sobre o antigo presídio do Ahú no centenário do sistema penitenciário estadual, a ser comemorado no dia 5 de janeiro de 2009.

Destruição

Mas a PCE se tornou obsoleta com o tempo e a destruição parcial da rebelião do PCC, que acabou com oficinas de trabalho dos presidiários, obrigou o governo a desativar a cozinha e outros espaços internos. Uma das medidas tomadas na época foi dividir a penitenciária por dentro para evitar novos motins enquanto não ocorresse a reconstrução.

Vistas de longe, das margens do Contorno Norte, em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, as pequenas janelas da PCE parecem um conjunto habitacional do antigo Banco Nacional da Habitação (BNH). Lá dentro, os presos mantêm hábitos antigos: ficam pendurados nas grades das galerias, trocam bilhetes, assistem à televisão, ouvem rádio. São regalias que não existem mais nos presídios de segurança máxima. Já nos corredores das galerias, policiais militares permanecem armados até os dentes, prontos para colocar fim a qualquer ameaça de rebelião.

Reconstrução

Segundo o secretário da Justiça e da Cidadania, Jair Ramos Braga, os projetos prevêem a reconstrução das galerias e reformas elétricas e hidráulicas. "Essas mudanças são necessárias em razão da ação do tempo e de sua construção em alvenaria de tijolos maciços", diz, conforme informação da Agência Estadual de Notícias.

A intenção do governo é reforçar as galerias da PCE com material de concreto armado de alta resistência, mantendo as atividades da ala administrativa, de saúde, pátios de sol, salas de aula e canteiros de trabalho.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.