
No fim do mês de junho foi localizado, em árvores de eucalipto nas margens da BR-277, no perímetro urbano de Curitiba, o percevejo bronzeado. Nativo da Austrália, o inseto sugador, com sua alimentação, reduz a capacidade de a árvore realizar a fotossíntese. As folhas ficam com aspecto bronzeado e podem ser derrubadas. Existe a possibilidade de a árvore ser levada à morte, dependendo da densidade populacional. O inseto pode causar danos em plantios de eucalipto.
Leonardo Barbosa, pesquisador da Embrapa Florestas, explica que em 2006 o percevejo bronzeado foi encontrado na Argentina e no Uruguai. O inseto deve ter vindo desses países por intermédio de correntes de ar ou transporte de material, como mudas e madeira. No ano passado, foi encontrado em São Francisco de Assis (RS) e na região de Jaguariúna (SP). No estado de São Paulo, atualmente, mais de 40 municípios já detectaram o percevejo. Também a África do Sul e o Zimbábue registraram incidência da praga.
Segundo Barbosa, estudos sobre a dinâmica do inseto e o desenvolvimento de estratégias para o manejo começam a ser feitos agora, dentro de um projeto nacional coordenado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef). Também participam outras entidades, inclusive a Embrapa Florestas.
Barbosa diz que ainda não está definida a forma de controle da praga. O mais provável, completa, é que a opção seja pelo controle biológico. Na Austrália foi identificada uma vespa que paralisa o desenvolvimento dos ovos do percevejo bronzeado, mas o país optou por inseticidas porque lá o inseto está em áreas urbanas. "Aqui é inviável porque são plantios comerciais com grande quantidade de plantas. O controle biológico seria o ideal", explica o pesquisador.
De acordo com ele, a forma de controle da praga não precisa ser definida rapidamente porque no Brasil ainda não é conhecido o potencial de dano do inseto. "Na África do Sul e na Argentina existem relatos de perdas significativas", completa, mas isso não quer dizer que o percevejo bronzeado vai se adaptar e se desenvolver no Brasil. "Ele pode chegar aqui e encontrar algum inimigo natural nativo", explica o pesquisador.
Prejuízo
Quando isso não acontece, as espécies exóticas invasoras costumam se instalar e trazer prejuízos para a biodiversidade, para o bolso e para a saúde. A fundadora e diretora executiva do Instituto Hórus, Sílvia Ziller, diz que as plantas e animais que fazem parte desse grupo entram no ambiente, se desenvolvem de maneira desproporcional e ocupam o espaço que seria das espécies nativas.
Ela cita, no caso da fauna, o problema dos cães e gatos que ficam soltos e caçam em espaços naturais; o caramujo africano, que é um sério problema no litoral do Paraná; e a lebre europeia, um animal introduzido na Argentina que já chegou ao Brasil e tem causado prejuízos à agricultura. Quando o assunto é flora, Ziller cita a uva do Japão, a ameixa amarela, o amarelinho, o pínus, o beijinho e o pau-incenso.
No fim de maio, quando foi lançado o programa estadual de prevenção, controle e monitoramento das plantas e animais que fazem parte do grupo das espécies exóticas invasoras, o diretor de biodiversidade do Instituto Ambiental do Paraná, João Batista Campos, disse que existem 2,8 milhões de espécies catalogadas, incluindo algas, bactérias e fungos. No entanto, estima-se que existem entre 10 e 100 milhões de espécies. Muitas já podem estar sendo perdidas sem que a humanidade tenha conhecimento.
Sílvia Ziller conta que, dentro do programa, o que está sendo feito agora é o detalhamento dos planos de trabalho. De acordo com ela, em agosto serão publicadas as listas das espécies exóticas invasoras separadas por categoria: restrição e manejo.
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Serviço
Informações para identificar o percevejo bronzeado podem ser obtidas na página da Embrapa Florestas (www.cnpf.embrapa.br) e informações sobre as espécies exóticas invasoras estão em www.institutohorus.org.br.




