A Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Paraná promoveu ontem uma audiência pública para discutir a obrigatoriedade das grandes redes de supermercados substituírem as sacolas plásticas convencionais por sacolas que não gerem passivos ambientais. Participaram representantes da indústria do plástico e dos supermercados, além de parlamentares e do secretário do Meio Ambiente do Paraná, Rasca Rodrigues. Existe uma lei que torna obrigatório o uso de sacolas biodegradáveis ou retornáveis nos supermercados e no comércio em geral do estado.
Além disso, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vem aplicando uma multa diária no valor de R$ 70 mil às redes Wal-Mart (Wal-Mart Supercenter, Mercadorama, Big, Maxxi Atacado e Sams Club), Carrefour e Grupo Pão de Açúcar (Pão de Açúcar e Extra) por não terem apresentado à Secretaria do Meio Ambiente alternativas para as sacolas plásticas oferecidas em suas lojas. A multa já soma R$ 8 milhões, mas as empresas ainda não pagaram porque vêm recorrendo na Justiça, segundo informações da secretaria. Representantes das três empresas participaram da audiência pública.
Daniela de Fiori, vice-presidente de Assuntos Corporativos do Wal-Mart Brasil, afirmou que a empresa mantém uma política global de sustentabilidade que prevê diversas ações. Segundo ela, o grupo entende a "pressão sobre o plástico" e nos últimos dois anos vem buscando alternativas. A vice-presidente explicou que a empresa fez testes com oito tipos de embalagens nas lojas de Curitiba e optou pela sacola retornável, feita de algodão cru. De maio a julho foram vendidas 150 mil unidades no Paraná e em São Paulo. Cada sacola custa R$ 2. O problema é que apenas dois em cada 50 clientes que compram a sacola retornam à loja com ela na compra seguinte. "O problema maior é promover a mudança de hábito", disse Daniela.
O engenheiro químico Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida, organização de iniciativa da indústria do plástico, voltou a insistir na existência de estudos que mostram que não há comprovação da eficiência das sacolas oxibiodegradáveis. A Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa pediu, então, que ele encaminhe esses estudos para que os parlamentares possam analisá-los.



