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Meio ambiente

Pesquisadores acham fungo que degrada plástico

Descoberta feita por norte-americanos pode resolver um dos mais graves problemas ambientais da atualidade

Pesquisadores norte-americanos descobriram um fungo na Amazônia equatoriana capaz de degradar poliuretano, um tipo de polímero muito usado para a confecção de espumas, adesivos e tintas. O trabalho, publicado na Applied and Environmental Micro­biology, pode levar a estratégias inovadoras para reduzir o impacto ambiental dos plásticos.

Ambientalistas argumentam que os plásticos demoram muito para se decompor na natureza. O polietileno, por exemplo, leva cerca de 50 anos. O PET, usado na produção de garrafas plásticas, permanece até 200 anos no ambiente. Cientistas explicam que fungos e bactérias ainda não desenvolveram o arsenal de enzimas necessário para degradar as longas cadeias sintéticas de carbono, hidrogênio e outros elementos que constituem os plásticos.

A descoberta de organismos que já são aptos para degradar o plástico nos aterros ajudaria a encurtar os tempos de decomposição e a diminuir consideravelmente o dano ambiental.

Potencial

Duas cepas de Pestalotiopsis microspora, descobertas pelos norte-americanos – em sua maioria, estudantes de graduação da Uni­­­versidade Yale –, mostraram um enorme potencial na degradação de poliuretano. O estudante Jonathan Russell identificou a enzima secretada pelo fungo responsável pelo enfraquecimento das ligações químicas do polímero.

A pesquisa trouxe com ela uma descoberta inusitada: a enzima funciona tanto na presença como na ausência de oxigênio, algo inesperado para os cientistas. Dessa forma, o fungo poderia funcionar também nos aterros sanitários, onde uma grossa camada de dejetos e terra costuma cobrir os plásticos descartados, diminuindo a oxigenação e, assim, dificultando sua decomposição.

Derval Rosa, da Universidade Federal do ABC, em São Paulo, também estuda a biodegradação de polímeros e tenta descobrir como ela ocorre nos aterros sanitários e em cada um dos diferentes tipos de plástico. Mas adota uma postura realista. "Nossos aterros são precários", afirma. "Talvez em 20 anos conseguiremos o nível de controle necessário para aplicar esse tipo de conhecimento."

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