
A pichação tem se caracterizado como um fenômeno urbano bastante organizado e muito presente em grandes cidades. No ano passado, 670 casos foram denunciados à Guarda Municipal de Curitiba (GM) média de quase duas notificações por dia na capital. Número que tende a ser ainda maior, já que muitas situações são ignoradas ou passam despercebidas pela população. Embora haja a busca por punição, essas ações são difíceis de serem flagradas. "É um trabalho de gato e rato, pois é preciso que a pessoa esteja pichando no momento do flagrante para que exista o crime", afirma o inspetor da GM Cláudio de Oliveira.
Entretanto, foi a partir de uma denúncia anônima e das imagens registradas por câmeras de segurança espalhadas pelo Centro de Curitiba que a GM conseguiu deter em flagrante 32 pessoas que pichavam a cidade no último sábado. Entre eles estavam pichadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro que disseram ter vindo a Curitiba para participar de um encontro nacional de pichação, combinado pela internet. "Eles estavam com uma infinidade de sprays, tintas em garrafas pet, pincéis e rolos", conta Oliveira.
O grupo tinha, inclusive, DVDs com imagens feitas por celulares que continham informações sobre as edificações a serem depredadas e rotas de subida nas paredes. "Eles [pichadores] têm formado grupos organizados", observa Oliveira.
Dificuldade
Além do flagrante, a ambição dos pichadores também dificulta a repressão. Eles têm pintado seus códigos em locais cada vez mais altos. "Eles saíram do nível do chão e agora fazem pichações a partir do primeiro e do segundo andares dos prédios. É difícil contê-los porque não temos o costume de andar olhando para o alto e, como agem à noite, ficam fora do alcance da iluminação pública", diz o inspetor. O maior número de denúncias chega à GM nas noites de quinta, sexta e sábado.
Em janeiro, depois de gastar R$ 6 mil vindos do governo do estado na pintura de todas as paredes do Colégio Estadual Tenente Sprenger, em Pinhais, na região metropolitana, a diretora Rita de Cássia Schievenin viu o local amanhecer pichado. "Entraram quando o colégio estava fechado e picharam as paredes de cima a baixo. Não deu tempo da nova pintura completar um mês", lamenta.
Levantamento
Na capital, o Centro é o local preferido dos pichadores, além de bairros como Boa Vista, Hugo Lange e Cabral. Mais de 50% dos pichadores flagrados são estudantes entre 16 e 17 anos e moradores de bairros da periferia ou de municípios da região metropolitana. "O pichador quer ser visto e reconhecido. É uma forma de demarcar o território. As mensagens representam uma forma de comunicação entre eles", diz Oliveira. A pichação é considerada um crime de menor potencial ofensivo, que pode acarretar em multa e até um ano de detenção.
Serviço:
Casos de pichação podem ser denunciados à Guarda Municipal pelo telefone 153.
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Interatividade
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