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meio ambiente

Pínus de Vila Velha será cortado

Ponta Grossa – Uma das espécies exóticas que mais se proliferam no Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, pode estar com seus dias contados. O pínus, que se tornou uma praga no parque, vai ser cortado por funcionários de indústrias madeireiras filiadas à Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre). A supervisão do trabalho, previsto para durar um ano, será do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O convênio foi assinado ontem, durante um seminário sobre espécies exóticas em unidades de conservação, realizado no parque.

O pínus é a espécie exótica que mais se desenvolve nos 3.122 hectares de Vila Velha. Há dois anos, quando o parque sofreu uma revitalização, o IAP havia conseguido eliminar 10 mil metros cúbicos da árvore no local. No entanto, como o parque fica próximo a regiões de reflorestamento – os Campos Gerais têm mais de 100 mil hectares de pínus –, a espécie voltou a se tornar um problema. Segundo ambientalistas, a semente da planta pode ser carregada pelo vento por até 300 quilômetros. "Estamos sempre monitorando e cortando o pínus. Agora, o que está crescendo é fruto de uma nova invasão", afirmou o diretor de biodiversidade e áreas protegidas do IAP, João Batista Santos.

Além do pínus, espécies como o eucalipto, o cinamomo, o capim-gordura e a braqueria estão prejudicando o desenvolvimento das plantas nativas da reserva e causando um desequilíbrio ecológico. Por ser uma área de conservação, o parque não pode possuir espécies exóticas.

O trabalho da Apre será exclusivamente o de cortar os pínus regenerados. Caso a madeira seja aproveitada para a venda, o IAP fará uma licitação para uma empresa comercializá-la. As outras árvores retiradas serão deixadas na área para se decomporem na terra.

A intenção da associação é mostrar que o cultivo do pínus pode ser mantido e ampliado, desde que monitorado. "Precisamos continuar plantando pínus, do contrário não teremos mais papel. No entanto, a árvore tem de ser plantada em lugares corretos", disse o presidente da Apre, Roberto Gava. A associação oferecerá os materiais e a mão-de-obra necessária para retirar a espécie. O IAP indicará as áreas do parque onde o pínus cresceu novamente. "Vamos colaborar no restabelecimento do ambiente natural do Parque Estadual de Vila Velha, que tem fama internacional", afirmou Gava. O convênio servirá como um teste para a Apre, que poderá auxiliar o IAP no corte de pínus em outra unidades de conservação do estado e até renovar o trabalho em Vila Velha.

Além de agredir esteticamente o parque, os pínus acabam com as características de campo da reserva. De acordo com especialistas, onde houve a plantação da árvore não nasce mais a grama nativa. As outras espécies exóticas continuam a ser retiradas constantemente do parque, por meio do plano de manejo, que também prevê a restauração da vegetação do local com o plantio de mudas de espécies nativas.

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