O soldado da Polícia Militar (PM) Omar Assaf Júnior, 29 anos, foi indiciado por homicídio triplamente qualificado (por não haver chance de defesa da vítima, por motivo fútil e pelo fato de ser policial) na tarde de anteontem, acusado do assassinato do estudante de Direito Thiago Klemtz de Abreu Pessoa, 19 anos. O rapaz foi morto com três tiros na madrugada do dia 16, em frente a Sociedade Harmonia, localizada no bairro Bigorrilho, em Curitiba. Laudos do Instituto Médico-Legal (IML) confirmaram que os projéteis que atingiram o jovem partiram da arma do policial. A pena para os crimes pode chegar a 20 anos de prisão.
Como Assaf Júnior foi preso em flagrante, a Delegacia de Homicídios teve prazo de dez dias para concluir o inquérito. Segundo o delegado Rodrigo Brown de Oliveira, imagens de câmeras de vigilância de prédios próximos ao local do incidente auxiliaram na investigação. Em depoimento, o soldado confirmou que estava na festa, mas disse que disparou a arma para dispersar uma briga que ocorria do lado de fora do estabelecimento, e não sabia se tinha atingido alguém. "As gravações mostram que não houve briga antes dos disparos", afirma Brown. "Não dá para ver exatamente o momento em que o estudante é atingido, mas o policial aparece com a arma em punho apontando em uma direção", relata o delegado.
Nos dez dias de investigação, 25 testemunhas foram ouvidas pela Polícia Civil. "Segundo esses depoimentos, o policial teria atirado em Thiago, que caiu próximo ao meio-fio. O soldado ainda teria se aproximado do rapaz e efetuado mais dois disparos", conta o delegado. Ainda na terça-feira, a Justiça decretou a prisão preventiva de Assaf Júnior, que seria solto após vencidos os 10 dias de flagrante. Segundo o delegado, depois do primeiro depoimento, o policial militar não mudou a versão. A assessoria de imprensa da PM informou, em nota, apenas que o soldado estava em horário de folga e "acabou envolvendo-se no episódio, ocorrido entre os frequentadores, já ao lado de fora do estabelecimento".



