Pessoas contratadas por uma casa de striper distribuíam, ontem, na Boca Maldita, em Curitiba, folhetos de uma festa junina, com a oferta de 80 recepcionistas a caráter, barraca do beijo e comidas típicas. O anúncio é diferente dos feitos pelas garotas de programa, que atendem em conjuntos comerciais da capital, em panfletos que, na semana passada, foram recolhidos pela prefeitura.
O material sobre a festa foi tirado da rua por investigadores do 1.º Distrito Policial, que fizeram duas apreensões no calçadão da Rua XV de Novembro, por suspeita de favorecimento à prostituição. Duas pessoas foram conduzidas à Central de Polícia para esclarecer a origem do material.
A distribuição de folhetos é proibida no município, sendo crime a exploração e o favorecimento à prostituição. Na semana passada, a reportagem da Gazeta do Povo recolheu onze folhetos de oferta de sexo no calçadão da Avenida Luiz Xavier e Rua XV de Novembro e na esquina das Marechais Deodoro e Floriano. A publicidade levava a salas dos edifícios Tijucas e Banrisul e a um prédio na Alameda Augusto Stelfeldt, onde, por telefone, as garotas agendam seus programas.
Embora a maioria das garotas dos folhetos continue se prostituindo nos edifícios centrais, os investigadores não foram aos locais porque é preciso ter autorização judicial para entrar nos conjuntos comerciais e apartamentos. Segundo o policial Adolfo Rosevicz Filho, superintendente do 1.º Distrito, a polícia investiga há cerca de um ano e meio a exploração da prostituição no Centro da cidade os alvos são boates, casas de massagens e garotas e garotos de programa que atendem em apartamentos. "Uma das boates investigadas é esta da festa junina", disse.
Rosevicz explicou que existem três inquéritos policiais sobre as ofertas de sexo na região, sendo que um resultou numa prisão em flagrante. A base das investigações são as etiquetas colocadas em telefones públicos." A estratégia é anterior a dos folhetos, cuja distribuição ganhou força no mês passado e foi intensa até a semana passada, quando o Sindicato das Empresas de Publicidade Externa do Paraná denunciou o fato à prefeitura.



