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Crueldade

Polícia apura morte de cavalos e vacas

Agricultores são suspeitos de terem encomendado o extermínio dos animais

Com a ajuda de seu filho, Célia cuida de cavalo que escapou do ataque | Henry Milléo/Gazeta do Povo
Com a ajuda de seu filho, Célia cuida de cavalo que escapou do ataque (Foto: Henry Milléo/Gazeta do Povo)

PONTA GROSSA - A Polícia Civil investiga a morte de 17 animais (15 cavalos e duas vacas) e o desaparecimento de outros três em Ponta Grossa. Os casos ocorreram em duas localidades distantes, no prazo de uma semana. Em uma das situações, dez cavalos foram queimados, degolados e atirados de um viaduto de 50 metros de altura. Os corpos foram encontrados no sábado, num local de difícil acesso. Na quarta-feira, sete animais apareceram mortos, envenenados. Em comum, nas duas situações, a suspeita de que os mandantes dos crimes sejam agricultores descontentes com o fato de que os animais entravam nas propriedades e estragavam parte da plantação de trigo e soja. As duas áreas não têm cerca e ficam próximas a áreas residenciais.

As mortes dos cavalos representam um problema social na vila Lagoa Dourada. Boa parte dos animais tracionava carroças de catadores de materiais reciclados. Sueli Maria Correia, de 51 anos, perdeu cinco dos sete cavalos que possuía. Rosada, Pampo, Tostada, Pingo e Garota não fazem mais companhia a Mocinha e Pintado no potreiro. Ela criava animais há oito anos e agora desistiu do trabalho de reciclagem. No domingo, já vendeu a carroça. "Ainda não sei o que vou fazer", conta. Mocinha e Pintado são muito novos e não podem puxar a carroça. Estão vivos porque não conseguiram escapar do potreiro. Agora, além de cercados, ficam também amarrados. O prejuízo financeiro para a catadora foi grande. Cada animal vale entre R$ 200 e R$ 400.

Moradora da Vila Lagoa Dourada, a catadora Célia Laurindo da Silva vai cuidar ainda mais dos dois cavalos que tem. Ela tem medo de que os animais também sejam mortos. "Quem faz isso não tem coração. Os animais não conseguem se defender", disse. Um agricultor da vizinhança já teria ameaçado Célia, dizendo que os cavalos seriam mortos. "É o meu ganha-pão. Se eu ficar sem eles não tenho como trabalhar", conta ela, que consegue ganhar R$ 50 por semana com a venda dos materiais que recolhe.

Já na Vila Borato, os cavalos mortos eram de raça, usados em rodeios e para passeios. Duas vacas também foram envenenadas. Os donos registraram queixa na delegacia e a polícia científica apura que tipo de produto químico foi utilizado para matar os animais.

Os criminosos estão sujeitos a prisão de até dois anos e dois meses. Esse tipo de processo tramita no Juizado Especial e geralmente a pena é revertida em serviços prestados à comunidade. A polícia já tem pistas dos mandantes.

O Grupo Fauna de Proteção aos Animais cobra fiscalização em lojas agropecuárias, que estariam vendendo venenos usados para matar cavalos, cães e gatos.

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