
A Polícia do Rio de Janeiro informou no fim da noite de ontem que pedirá a prisão preventiva do goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes. Ele é acusado de envolvimento na morte da ex-namorada Eliza Samudio, 25 anos. A situação do jogador se complicou após a detenção do primo dele, um adolescente de 17 anos, que confessou participação no sequestro e morte de Eliza. O jovem fez as revelações em depoimento à Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, após ser detido na casa do goleiro, na Barra da Tijuca.
De acordo com o depoimento, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão amigo de Bruno , convenceu Eliza a ir com o filho de 4 meses do Hotel Transamérica, na Barra da Tijuca, para o sítio do goleiro, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).
Segundo a polícia, o jovem disse que viajava escondido e armado na Range Rover de Bruno, quando Eliza o viu e houve uma discussão. Neste momento, o adolescente teria dado três coronhadas nela que, sangrando, ficou desacordada até chegar a Belo Horizonte. O jovem não explicou como Eliza morreu e apenas informou aos policiais que o corpo foi entregue por Macarrão a um traficante de Contagem, conhecido como Cleisson, para ser "desovado".
Entrevista
A polícia foi à casa de Bruno após uma entrevista de um tio do adolescente à Rádio Tupi do Rio. Segundo ele, que é motorista de ônibus, o adolescente estava sendo mantido em cárcere privado na residência do jogador. De acordo com esse tio, Bruno teria mandado entregar os restos mortais de Eliza a traficantes e, por esse trabalho, teria pago R$ 3 mil. "A garota foi desossada, tá entendendo? Enterraram os ossos dela e concretaram", disse o tio. Ainda de acordo com a entrevista, "os advogados do goleiro estariam instruindo os envolvidos no sumiço de Eliza a dizer que ela teve uma discussão dentro do carro com o adolescente. E aí acabou levando um soco no rosto. Por isso as marcas de sangue no veículo".
A amiga de Eliza que denunciou o desaparecimento da jovem garante que ambas as versões não condizem com as conversas que teve com a estudante. Uma das conversas foi quando a ex-namorada de Bruno já estava em Belo Horizonte, no dia 9 de junho, um dia depois de a Range Rover ser apreendida em uma blitz na capital mineira. "Nunca ouvi falar nesse primo. A Eliza disse que foi convidada pelo Bruno a ir para Minas", afirma a amiga, que pediu para não ser identificada. Ontem, os bombeiros voltaram a fazer buscas, sem sucesso, na Lagoa Suja, na Grande BH. Segundo denúncia anônima, o corpo de Eliza está lá.
Indícios
No iníciod a noite, antes de informar que pediria a prisão do jogador, a polícia afirmou ter "provas subjetivas e objetivas" do envolvimento de Bruno e de amigos dele no desaparecimento de Eliza. A principal "materialidade indireta" do caso, segundo o delegado Edson Moreira, é a tentativa de ocultação do bebê. A localização da criança, na madrugada do último dia 27, em Contagem (MG), levou à prisão de Dayanne Souza, mulher de Bruno, que ganhou o direito de responder em liberdade. A polícia tem convicção de que Dayanne teria tentado ocultar o paradeiro da criança a mando do goleiro, que relutava em reconhecer a paternidade do suposto filho.
Os delegados argumentam que Eliza movia uma ação judicial contra Bruno reclamando o reconhecimento da paternidade e o pagamento de pensão e, por isso, não abandonaria nunca o filho. Na versão de Bruno, o menino foi entregue pela jovem a seu assessor, Macarrão, que o levou para o sítio em Esmeraldas (MG).
Na lista de provas e indícios estão também os vestígios de sangue encontrados na Range Rover do goleiro, além de um par de sandálias pretas e óculos escuros que estavam no veículo e foram reconhecidos como sendo da jovem. A polícia aguarda o resultado do exame de DNA que pode comprovar se o sangue achado é de Eliza.




