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Meio Ambiente

PR foi o 2.º maior destruidor da Mata Atlântica entre 2000 e 2005

Ponta Grossa – Uma área de Mata Atlântica equivalente a dois terços do município de curitiba veio abaixo entre os anos de 2000 e 2005 no Extremo-Sul do Paraná. Por conta do desmatamento, principalmente da floresta de araucária, as cidades de Bituruna, Coronel Domingos Soares, Palmas e General Carneiro estão entre as dez que mais destruíram os remanescentes da Mata Atlântica no Brasil. Juntas elas concentram quase a metade do que foi dizimado no estado inteiro no último qüinqüênio – e justamente numa área considerada de riqueza incalculável, prestes a virar unidade de conservação ambiental.

Os dados são resultado de um estudo minucioso, a partir de fotos de satélite e de verificações em terra, promovido pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Atlas dos Remanescentes Florestais de Mata Atlântica abrange a área de 1.944 municípios em oito estados e aponta que restam apenas 6,98% do bioma. Entre os anos de 2000 e 2005, 95 mil hectares foram devastados no Brasil. O Paraná foi responsável por 28,1 mil hectares, ocupando o segundo lugar em área total de desmatamento, atrás apenas de Santa Catarina, com 45,4 mil hectares.

A conclusão do Atlas revela que o ritmo de desmatamento no bioma da Mata Atlântica está caindo na maior parte do país. Entre 2000 e 2005 foi derrubada uma área 71% menor do que nos cinco anos anteriores. O Paraná conseguiu reduzir acentuadamente o ritmo do desmatamento de florestas nativas nos últimos cinco anos, derrubando uma área de matas 88% menor do que a que havia sido devastada no período de 1995 a 2000. Para o diretor de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, é pouco. O estado saiu da posição de recordista nacional, com a derrubada de 177 mil hectares, num ritmo que faria não sobrar nenhuma árvore em 50 anos.

Para o ambientalista, os problemas se concentram no Paraná porque até pouco tempo, a floresta de araucária não era considerada mata atlântica pelo governo estadual. Isso, aliado à pressão do setor de agronegócio e à exploração da madeira tiveram impacto direto nas florestas remanescentes. Para contra-atacar, a organização não governamental optou por elencar o desmatamento por município, disponibilizando as informações no endereço www.sosma.org.br, para que qualquer pessoa possa acompanhar o que está acontecendo e cobrar ações fiscalizatórias no lugar em que mora.

O secretário estadual do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, admite que há ainda muito a ser feito para frear o processo de desflorestamento, como a implantação de sistemas mais modernos de acompanhamento das áreas remanescentes. Mas faz questão de frisar que medidas tomadas, como a incorporação de 257 funcionários aos 600 do efetivo da Polícia Ambiental e a aquisição de três aviões para monitoramento, que resultaram na triplicação do número de autuações por desmate, já estão surtindo efeito, reduzindo o ritmo da devastação.

Para o secretário, é importante destacar a diminuição de 88% na área desflorestada entre um qüinqüênio e outro. Ele acredita que as cidades do Extremo-Sul foram mais atingidas por serem ainda vastamente cobertas por matas nativas. Rodrigues cita também que em Bituruna, cidade recordista nacional de desmate, existem nove assentamentos rurais, que teriam exercido uma pressão muito forte sobre a floresta.

O Paraná já teve 97,36% de sua área coberta por floresta atlântica. Hoje restam apenas 10% disso. Mas ainda são 1.929.648 hectares – o dobro do que existe no Rio Grande do Sul, e quatro vezes mais do que no Espírito Santo. Em extensão, fica atrás apenas de Santa Catarina e São Paulo. E por terem áreas vastas ainda cobertas de mata, sofrem maior pressão. De acordo com a coordenadora do Atlas, Márcia Hirota, "o maior problema nesses pontos críticos infelizmente foi a péssima atuação do poder público e a falta de políticas de uso e conservação da floresta".

O projeto de lei que estabelece diretrizes para a exploração sustentável da Mata Atlântica foi aprovado recentemente pela Câmara Federal, e agora espera sanção presidencial. A esperança é de que a regulamentação do uso responsável da floresta, assim como a fixação de critérios claros de exploração, possam minimizar o impacto negativo sobre as áreas remanescentes.

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