O aumento no número de veículos em circulação nas ruas de Curitiba não atrapalha somente os motoristas, que a cada dia perdem mais tempo em engarrafamentos. O crescimento da frota, que se dá de maneira mais rápida do que as adequações na infra-estrutura de trânsito, atrapalha também a prestação de serviços essenciais, como o trabalho de equipes médicas, do Corpo de Bombeiros e da polícia. Em trechos congestionados, o tempo para uma ambulância ou viatura chegar ao destino pode aumentar em média 30% em relação a horários de menor movimento.
Segundo a Polícia Militar (PM), cinco pontos são considerados críticos em Curitiba, no período das 18 às 20 horas: Avenida Brasília, do Novo Mundo ao Xaxim; Rua Augusto Stresser, no Hugo Lange; Rua Fagundes Varela, do Jardim Social à BR-476; Rua Coronel Luiz José dos Santos, no Boqueirão; e Rua Engenheiros Rebouças, no trecho entre o Jardim Botânico e o Centro. De acordo com a PM, os engarrafamentos nesses trechos podem atrasar os atendimentos em até 15 minutos.
O tenente da PM Wagner Araújo diz que não há nenhum levantamento oficial e que os pontos foram indicados com base no dia-a-dia dos policiais. "Há locais, como a Avenida Brasília, em que é praticamente impossível trafegar na hora do rush", afirma.
Na canaleta
Para os atendimentos emergenciais, a saída é invadir as áreas destinadas ao transporte coletivo. As canaletas estão entre as principais vias utilizadas pelo Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma de Emergência (Siate) e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Por prestarem serviços emergenciais, as ambulâncias devem chegar no máximo em 10 minutos aos locais de ocorrência. Segundo Matheos Chomatas, diretor do Sistema de Atendimento Municipal de Urgências, que coordena os serviços do Samu e do Siate, em trechos engarrafados a demora pode aumentar entre três e cinco minutos. Depois do atendimento inicial, o tempo para chegar ao hospital não pode ultrapassar os 15 minutos.
Para Chomatas, os atendimentos seriam prejudicados se não houvesse as canaletas. "Elas dão uma mobilidade muito grande. Tanto que ainda não precisamos implantar helicópteros", diz. O diretor também destaca a descentralização do sistema. "Saímos dos quartéis dos bombeiros ou das unidades de saúde 24 horas. Em qualquer lugar da cidade, estamos a 15 minutos de algum hospital."
Chomatas lembra que, em trechos engarrafados, os acidentes tendem a ser de menor gravidade. "A tendência é de o acidente não ser muito grave, porque o trânsito nesses locais é mais lento." Atualmente há 13 ambulâncias do Siate em Curitiba, além de 21 do Samu, sendo cinco UTIs móveis e uma UTI neonatal.
O Corpo de Bombeiros também utiliza as canaletas. "Há horários em que não temos como fazer o atendimento por vias normais", revela o sargento Elinton da Silva de Souza. Segundo ele, em média os bombeiros chegam ao local da ocorrência em cinco ou seis minutos, prazo que poderia aumentar caso fossem utilizadas vias normais. "Se usarmos as vias comuns, vamos esbarrar no trânsito, e não só na hora do rush. O número de veículos aumentou muito."



