Há mais de dois meses, um homem acusado de fazer parte da quadrilha do traficante colombiano Juan Carlos Abadia está preso em uma sala do quartel do Corpo de Bombeiros de Cascavel, no Oeste do Paraná. Como mostrou reportagem do telejornal Bom Dia Paraná, da RPC TV, o espaço não é apropriado para manter um preso, e os moradores da cidade estão preocupados com a falta de segurança.
O preso é Adilson Soares da Silva, um agente aposentado da Polícia Federal acusado de fazer parte da quadrilha de Abadia. Silva foi preso em flagrante no ano passado em Foz do Iguaçu, também no Oeste, quando dirigia um caminhão carregado com mercadorias contrabandeadas do Paraguai, que teriam sido roubadas de sacoleiros.
Após a prisão, o advogado do ex-policial pediu na Justiça o benefício da prisão domiciliar. O pedido foi negado, mas ele conseguiu direito à cela especial. Como em Foz do Iguaçu não havia espaço adequado, a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) foi adequar um espaço no Corpo de Bombeiros de Cascavel para ele.
Três das quatro entradas do quartel foram fechadas e o único acesso agora é controlado, tanto para os bombeiros como para a comunidade. O prédio deixou de contar com uma secretária na recepção. Agora são os próprios bombeiros, utilizando coletes a prova de balas, que se revezam para atender a população. Enquanto isso, a Polícia Militar (PM) monitora o quarto do detento.
"Desde a chegada dele, a primeira preocupação foi essa, com relação à nossa segurança", disse o bombeiro Sandro Comarella ao Bom Dia Paraná. Mas os moradores de Cascavel também foram afetados. O setor de vistorias, que recebe, em média, 50 pessoas por dia passou a permitir a entrada de apenas duas pessoas por vez. "O comandante do 4º Grupamento tomou essa iniciativa para salvaguardar a segurança dos bombeiros, dos civis que aqui trabalham e dos civis que andam e freqüentam o quartel", disse o tenente Rafael Tavares.
Para a população, o local é inadequado para abrigar o preso. "É regalia. Tinha que estar onde todos estão: no presídio", disse uma moradora da cidade ouvida pelo Bom Dia Paraná. "Por mais que a gente confie, não é uma boa segurança. Oferece risco, com certeza", afirmou outra, também ao telejornal.







