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Segurança

Primeira UPS do interior do PR é instalada em Cascavel

Na região norte da cidade – onde unidade foi instalada –, a taxa de homicídios é de 174 para cada 100 mil habitantes, seis vezes maior do que a média nacional

Policiais se preparam para “assepsia” antes de instalar UPS | César Machado/ Valepress
Policiais se preparam para “assepsia” antes de instalar UPS (Foto: César Machado/ Valepress)

Cascavel é a primeira cidade do interior do Paraná, e a primeira de médio porte no país, a receber um programa de polícia pacificadora, como já ocorre em Curitiba. Cem policiais militares e oito policiais civis ocuparam ontem os bairros da região norte, a mais violenta da cidade, para dar início à instalação de uma Unidade Paraná Seguro (UPS). O projeto paranaense é similar ao da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), do Rio de Janeiro, mas sem a participação do Exército. Em Cascavel, seguiu-se o padrão das dez unidades implantadas em Curitiba, ainda que com algumas variações, como a área de abrangência da nova unidade.

Vinte viaturas do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Fronteira percorreram desde cedo os bairros Interlagos, Floresta e Brazmadeira, entre outros, para cumprir 24 mandados judiciais. À frente das operações, o tenente-coronel Nerino Mariano de Brito explica que a proposta é fazer primeiro uma "assepsia" na região, retirando criminosos, para então dar início ao policiamento comunitário. A UPS em Cascavel contará com 30 policiais permanentes e será inaugurada na terça-feira, na Avenida Interlagos. O número de policiais que participam do início de cada ação é definido pelo comando-geral da PM, conforme a necessidade.

Violência demais

A escolha da região de atuação não se deu ao acaso. Segundo o Setor de Estatísticas do 6º Batalhão da Polícia Militar, a taxa ge­­ral de homicídios em Cascavel é de 38,78 para 100 mil habitantes. Na região norte da cidade, a taxa sobe para 174, mais de seis vezes maior do que os 27 da média nacional. No ano passado, 22 pessoas foram mortas na região de 12,6 mil habitantes; neste ano foram 12. No Paraná ocorrem 34,5 assassinatos a cada 100 mil habitantes, segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Segundo Nerino, nove prisões e três apreensões foram feitas na semana passada, medidas que antecederam a fase de ocupação policial. "Um trabalho de inteligência foi feito pelo Serviço Reservado do 6º BPM [Batalhão de Polícia Militar] que resultou nesses flagrantes por tráfico e uso de drogas, porte e posse de arma de fogo e roubo", explana. Não houve divulgação de balanço das primeiras horas de operação, mas segundo Nerino, todos os mandados de buscas e apreensão foram cumpridos e houve alguns flagrantes.

Mesmo cabendo à nova UPS toda a área norte de Cascavel, o secretário estadual da Segurança Pública, Cid Vasques, diz não haver mudança em relação às unidades da capital. "Em Curitiba, a ação inicial, de cumprimento de mandados de prisão, também teve abrangência em uma área maior, como em toda a Cidade Industrial de Curitiba ou em todo o Uberaba", salienta. "Mas as UPS foram implantadas apenas em uma localidade específica, que é o que vai ocorrer em Londrina [que recebe uma unidade até novembro, seguida por Foz do Iguaçu]. Todo o trabalho leva em conta planejamento estratégico da polícia", explica.

A proposta, segundo ele, é ampliar um projeto de polícia cidadã, próxima da população, e que tem demonstrado ter dado certo na capital, que começou a receber as unidades em março deste ano, e onde os índices de homicídios dolosos, por exemplo, já tiveram queda acentuada desde então.

Moradores aprovam a intervenção

Os moradores dos bairros da área norte de Cascavel que estão recebendo a Unidade de Polícia Segura (UPS) aprovaram a presença policial. É consenso entre os que foram entrevistados pela Gazeta do Povo que a atividade é positiva, mas também que ela deve ser permanente.

O vendedor Loredi Alves Pires mora no Bairro Interlagos há 25 anos e disse que nunca viu tantos policiais nas ruas. Ele considera a segurança fundamental e agora acredita que poderá sair de casa tranquilo. "Quem é de bem não tem o que temer, já os marginais não devem estar gostando. Deveriam ter feito esse projeto antes porque aqui estava muito ruim, era comum ver menino de 12 anos com pistola na cintura ameaçando os moradores, pessoas dando tiro no meio da rua, fazendo algazarra com motocicletas. Tomara que esses policiais permaneçam", conta.

Ronda criminosa

Lucimara Aparecida Alves trabalha como diarista e revela que tinha medo do que poderia acontecer com as filhas quando estava fora de casa. "Elas ficavam sozinhas e os traficantes e ladrões rondando a casa. Muitas noites eu não dormia por medo de levar tiro. Hoje notei que os marginais sumiram. Espero que os policiais fiquem e façam um bom trabalho tirando os bandidos do bairro", diz.

Camila Rodrigues mora na região norte e trabalha como operadora de caixa de um mercado na comunidade. Ela lembra que há alguns anos implantaram um módulo policial na região e não deu certo. "Parece que tinham poucos policiais. Espero que dessa vez a ação seja efetiva e diminua a criminalidade. O tráfico de drogas é livre aqui e também tem assalto", observa.

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